08 de julho de 2026
Regional

UFSCar cria substituto para o amianto

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

São Carlos - O professor e pesquisador Elson Longo, 63 anos, do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), desenvolveu uma fibra cerâmica capaz de substituir o amianto, cuja importação, fabricação e comercialização estarão proibidas no Estado de São Paulo a partir de janeiro de 2005.

O amianto, usado na fabricação de telhas e caixas d’água, pode provocar asbesteose - doença pulmonar que causa endurecimento dos pulmões e pode levar à morte.

A fibra cerâmica é obtida a partir da “escória”, um subproduto extraído do aço, que não faz mal à saúde. Além do professor Longo, participaram da pesquisa o professor Carlos Paskocimas, também da UFSCar, e os pesquisadores Sidnei Nascimento e Oscar Rosa Marques, ambos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

A idéia de produzir essas fibras surgiu há um ano e meio. De acordo com o pesquisador, as propriedades do novo material são tão eficientes quanto o amianto. Além disso, a fibra é mais barata.

Para produzi-la, Longo comentou que o método é exatamente o mesmo empregado na fabricação do algodão doce. No caso da fibra, o sistema recebe a escória fundida e uma grande quantidade de vapor de ar transforma o material em fibra, que vai sendo produzida enquanto a máquina roda.

Por enquanto, o novo produto não está sendo fabricado em grande escala. Segundo o pesquisador, a fábrica será construída pela CSN e dentro de poucos meses a fibra cerâmica chegará ao mercado.

Longo acredita que a quantidade de escória produzida pela CSN será suficiente para atender a demanda dentro do País. Segundo ele, são cerca de 1,5 milhão de toneladas por ano de escória, o que representa cerca de 30% de todo aço fabricado pela empresa.

Guerra declarada

Além de São Paulo, outros Estados, como Pernambuco, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, também proibiram por conta própria o uso do amianto.

Existem projetos tramitando em assembléias legislativas de outros 12 Estados pedindo o banimento do mineral. A proposta chegou também ao Congresso Nacional.

O Brasil está entre os cinco maiores produtores mundiais de amianto. Estima-se que o País utiliza o material em mais de 3 mil produtos. Os principais são as telhas, caixa d’água, papel laminado (usado na cozinha), em produtos de maquiagem, como batom, pó compacto e talco e em componentes para carros, como pastilhas e lonas de freios, cabos para embreagem e filtro de óleo, entre outros.

Roupas especiais para bombeiros e para os profissionais que trabalham diretamente com eletricidade também são feitas com tecidos à base de fios de amianto, por serem resistentes ao fogo e ao choque elétrico.

No caso específico da caixa d’água, o amianto vai sendo eliminado lentamente com o desgaste do recipiente e se mistura à água, segundo explicou o pesquisador da UFSCar. Quanto às telhas, elas sofrem dilatação em razão das altas temperaturas e partículas de amianto se desprendem e ficam no ar.