09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Martim-pescador abusado!


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“Em mais uma deslumbrante pescaria no Pantanal, um episódio raro coloriu ainda mais nosso passeio.

Como de costume, nossa época de pescaria na famosa Chalana do Pevê-Tur II se dá na semana da Pátria. Vamos até Corumbá de ônibus e lá embarcamos na chalana para subir o rio Paraguai. A cada dia, variamos os parceiros de bote para ouvirmos e contarmos os ‘causos’ de outras pescarias. Neste ano, a caravana estava composta por mim, meu pai, Walter, André, Renato, Nelsão, Nelsinho, Henrique, Sílvio, Tainha, Bochecha, Bába, Daniel, Molina, Mário, Olívio e o ‘incansável líder’ Caio.

No dia em que saí com meu primo André, que reside em Campo Grande, experiente pescador como meu saudoso tio Alceu, apoitamos sob uma velha e seca árvore à beira do rio e amarramos o bote a seus galhos. O dia prometia, pois logo ao chegarmos, um pintado, pequeno ainda, veio nos recepcionar. Soltamos e pedimos que trouxesse seus pais. Daí a pouco mais um, algumas piranhas e... ‘a coisa tava ficando feia’. Mal a tuvira caía n’água, as piranhas faziam um banquete. Então, a cada arremesso, esperávamos um pouco e tínhamos que recolher para avaliar se já não tínhamos perdido a isca.

Numa dessas recolhidas, meu primo sentiu algo tentando levar sua isca. Levantou a vara ferrando o ‘peixe’, mas o que vimos foi um martim-pescador, que estava na árvore onde amarramos o bote, tentando levar a tuvira. Bem, apesar do bote do Nersão e do Bába estarem próximos, foi muito rápido e, com certeza, eles não iriam confirmar a ‘história de pescador’ perante a caravana.

Pedi então ao nosso piloteiro que recolhesse a isca vagarosamente, deixando a tuvira na flor da água para que o martim pudesse vê-la. Preparei a máquina e novamente ele desceu, segurou a tuvira com os pés e tentou levá-la.

Depois de ter demonstrado sua coragem, soltamos a tuvira para que ele degustasse calmamente. Dado ao fato e vendo que o rio não estava mais para peixe, literalmente, seguimos para a chalana para contar o acontecido e comprovar com a fotografia. No ano que vem tem mais!”

Walter da Silva é dentista, pescador e contador de histórias