Domingo, dia 26 de dezembro. O mundo todo ainda sente aquela gostosa ressaca de Natal. Gostosa porque a maioria da população mundial celebrara a chegada do Menino Deus com familiares e amigos. Gostosa ressaca nutrida pelo ímpeto de fraternidade e comunhão que envolve as pessoas na época de Natal. O ser humano se torna mais humano e uma corrente do bem ‘abraça’ o planeta.
Gostosa ressaca porque é bom estar próximo dos entes queridos, receber um telefonema de alguém que há muito tempo não vemos, um cartão, um e-mail, um abraço, ah..., um abraço alimenta qualquer gostosa ressaca. Não é aquela ressaca causada pelos exageros etílicos muito comuns em festas de final de ano, mas é uma ressaca de bem-estar, de felicidade, de plenitude.
Mas... infelizmente, o nosso planeta estava com outra ressaca naquele domingo. O oceano, tranqüilo, tornou-se, de uma hora para outra, bravio, feroz, impiedoso, mortal. Sua ressaca foi tão fulminante que suas águas vitimaram de uma só vez mais de 25 mil pessoas nas cidades litorâneas do continente asiático. Que ressaca, meu Deus!
Será que os exageros provocados por governantes de nosso planeta, como o do nosso caipira George Bush, no seu levante contra o “mal”, não teriam causado a ira divina que acordou Netuno e sacudiu a Ásia numa ressaca de proporções apocalípticas?
Essa ressaca de domingo o mundo não queria ter sentido. As ondas de até 10 metros, mais dolorosas que qualquer enxaqueca causada por uma ressaca, nunca foi tão dura com o ser humano. A ressaca de domingo não viu raça, credo, etnia, casta social, viu apenas uma população que, aos poucos, está perdendo o sentido da vida, de fraternidade. Não adianta agora o Mrs. George Bush mandar milhões de dólares para as vítimas, enquanto gasta outros bilhões na indústria bélica.
Que ressaca, meu Deus! O que estamos fazendo com o lar que o senhor nos deu??? Essa nuvem de fraternidade deveria nos cobrir durante todo o ano, e não apenas no mês de dezembro. Talvez Deus tenha que nos “chacoalhar” de vez em quando para nos acordar. Infelizmente, a chacoalhada de domingo levou mais de 100 mil. Não esperemos mais ressacas como essas para colocarmos a mão na consciência e refletir sobre o que estamos fazendo com as nossas vidas e a vida do próximo. Vamos voltar a sentir aquela gostosa ressaca, e não a ressaca de Deus, que tem toda a razão de estar com dor de cabeça.
Thiago Brandão - MTb 40.328