08 de julho de 2026
Politicando

Os perfis representativos


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Eleito deputado federal. Antes da posse e, para bem se situar e tomar pé da situação, foi para a capital.

Ainda desconhecido e sem conhecer ninguém, levou no bolso nome de um primo de um conterrâneo, antigo funcionário da Câmara Federal e muito bem situado nos seus escalões internos.

Recepção efusiva. Indagações sobre a terrinha, etc. etc.

Na seqüência, visita ao edifício e suas dependências apontando gabinetes e destilando informações valiosas e úteis. Aqui o gabinete do líder do governo. Esperto, organizado, controla tudo. É rancoroso, não perdoa seus inimigos.

Neste gabinete está o representante dos bancos. Tudo que diz respeito ao sistema bancário não passa sem intervenção dele. A mesma coisa aqui. Este deputado é o homem da agropecuária. Muita influência.

Este aqui é vinculado à construção civil. Aquele logo à frente é defensor dos direitos da família. É uma pena que falem muito mal de sua mulher. Aquele outro é inimigo terrível do crime organizado.

Tem arquivos que podem arruinar reputações em fração de segundos, perigosíssimo! Aquele outro ali dizem que é gay, que ainda não saiu do armário, mas tem muita influência nas questões sexuais e conexas.

E o desfile de informações prosseguiu por todo o edifício até que, ao fim da visita veio o arremate conclusivo, típico de quem já viu quase tudo e que sabe quase tudo das coisas e pessoas que circulam por aquele imenso recinto institucional - Aqui, meu caro conterrâneo, tem de tudo. Só não tem bobo! (Contada por José Fernando da Silva Lopes)