08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

INOVAR NÃO É RESTAURAR


| Tempo de leitura: 3 min

Quero informar a todos os cidadãos bauruenses e empresários (que pretendem fazer doações), que a suposta reforma da Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus, embora digam, não se trata de uma restauração e sim uma inovação.

Segundo o dicionário, inovar é introduzir medidas novas; restaurar é recuperar. Em nossa igreja, todo interior será mudado, trata-se de uma total inovação para nossa tristeza e maior empobrecimento das raízes históricas arquitetônicas e sacras de Bauru.

Não sou especialista em liturgia (ainda), mas ao bater os olhos na parte inovada já encontrei graves erros. Um exemplo: cada pilastra (pilar de quatro faces) da igreja tem seu capitel (remate de coluna) trino (composto de três). Não precisa ser leiturgo para saber que isso simboliza a Santíssima Trindade. Na parte inovada, cada pilastra tem quatro adornos. Será este quarto adorno a presença do inimigo de Deus em nossa Igreja?

Com todo esse dinheiro que será desperdiçado, daria para contratar os serviços do melhor artista sacro da atualidade, que para nosso grande orgulho, é brasileiro. Para aqueles que não sabem, seu nome é Claudio Pastro. Reconhecido mundialmente, responsável por reformas e construções na Alemanha, Itália, Rússia, Israel e no nosso Brasil.

É fato que a igreja precisa de alguns reparos mas, por favor, que ela seja recuperada como era na sua construção, ou bem próximo disso!!!

A verdadeira reforma deve ocorrer na comunidade, que tem em seu miolo alguns leigos (no sentido bem popular da palavra) que “andam de salto alto” e se acham grandes exegetas e liturgos. Essas criaturas deveriam se retirar e estudar, ler um pouco, fazer alguns cursos e conhecer algo sobre a Igreja Católica e seus símbolos visíveis que têm a função de nos remeter ao invisível. Igreja não é lugar para se tentar uma ascensão social.

Me perdoem alguns clérigos, mas é fato comprovado que o padre Rocha nos faz muita, muita falta! Carinhosamente chamado por nós de padre Rochinha, foi quem sustentou espiritualmente essa paróquia por 12 longos anos. “... Porque é pelo fruto que se conhece a árvore” (Mateus 12, 33b). Depois dele, nenhum outro padre “esquentou a cadeira” nessa igreja.

Depois de muito jejum e oração para conseguir “amaciar” um pouco nosso pároco, padre Carlos Henrique Andrade Siqueira, nos vem a notícia de sua transferência, dia 18/12. Tudo bem, foi ele quem pediu, mas eu gostaria sinceramente de saber por que foi adiada a vinda do padre Carlos Antonio Pessôa para nossa paróquia?

Eu sei que o pessoal de Duartina não gostou da notícia e se manifestou. Mas quando nós, bauruenses, nos manifestamos, nunca somos atendidos. Por que será?

Bauru precisa muito da garra apostólica e carismática do padre Pessôa. Ele tem o dom de arrebanhar ovelhas desgarradas e de “quebrar a pata da ovelha rebelde e cuidar dela”, como o bom pastor. Basta observar todo o trabalho que ele desenvolveu na paróquia São Benedito.

Nesse momento, acho desnecessária a transferência do padre Carlos Henrique, mas é verdade que a história se repete...

Pelo menos dessa vez, dom Luiz Antonio (nosso bispo) podia nos atender e reconsiderar a vinda do padre Pessôa. Temo que o próximo pároco seja um marionete nas mãos de alguns leigos que acham que detêm o poder na paróquia.

Necessário é, com urgência, a restauração espiritual nessa comunidade. Deformar com modernismos nosso patrimônio histórico não fará novo de novo (restaurar literalmente), o ânimo e o amor primeiro dos fiéis, que deve ser Jesus Cristo. Diz santa Teresinha, nossa padroeira: “O amor faz todas as coisas. Só o amor.”

Deixo aqui meu apelo à defesa da originalidade da Igreja Santa Teresinha. Meu apelo a dom Luiz, para que nos devolva o padre Carlos Pessôa. E deixo também uma séria confissão: como é difícil ser cristã, principalmente cristã católica! Como já disse meu pai espiritual, santo padre Pio de Pietrelcina: “Pensa sempre che Dio vede tutto.” (Damaris do Padre Pio - RG 30.833.020-1)