09 de julho de 2026
Regional

Hepatite C motiva ONG em S.Manuel

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

As organizações que prestam serviços de saúde e educação estão entre as mais antigas, particularmente hospitais e escolas de 2º grau, tendo 70% delas sido criadas antes da década de 90 e estando dois terços delas concentradas na região Sudeste. Mesmo assim, esses dois segmentos representam apenas 8% do total de entidades brasileiras, diz a pesquisa do IBGE. São 3.798 atuando na saúde.

Na região há muitas ONGs nessa área, especialmente na cidade de Botucatu, onde o hospital da Unesp estimula a criação delas. A Fundação Bons Ares, por exemplo, atua em parceria com a Faculdade de Medicina do Estado de São Paulo e recentemente inaugurou um hospital para acolher portadores de aids.

Em São Manuel, a ONG C Tem que Saber C Tem que Curar dá apoio aos portadores de hepatite C, uma doença silenciosa que pode levar à morte, se não detectada a tempo. A organização, com um ano de existência, já conquistou avanços, como a manutenção do estoque de medicamentos, a divulgação de informações, um filme documentário e trabalha para que a rede pública ofereça o tratamento aos doentes.

O presidente da ONG, Francisco Martucci, é um idealista que luta para esclarecer os cerca de quatro milhões de portadores da moléstia. “Nós fazemos campanhas e palestras. Cerca de 90% dos infectados não sabem que possuem a doença. Ela é assintomática. Quando ela apresenta sintoma, é hora de fazer transplante de fígado ou morrer. Ela demora de 10 a 20 anos para se manifestar.”

Segundo ele, existe uma legião de infectados que não sabem que têm a doença. “O grupo de risco é formado por pessoas que receberam sangue desde o ano de 93 e quem compartilhou de agulhas. O melhor remédio para essa patologia é a informação, porque ela tem cura, mas pode levar à cirrose e ao câncer de fígado.”

A ONG foi formada, de acordo com Martucci para encurtar a distância entre o diagnóstico e o tratamento da hepatite C. "Foi motivada pela falta de medicamento. O tratamento custa em torno de R$ 60 mil por ano. Na época havia dificuldades, inclusive para fazer os exames.”

O presidente considera um grande avanço manter o estoque do medicamento no hospital de Botucatu, onde os doentes de São Manuel são atendidos. “Quem fornece os remédios são as diretorias regionais de saúde. Manter os estoques foi um desafio, mas hoje é realidade na região”, comemora.

A organização mantém uma parceria com o ambulatório de gastroenterologia no Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu. â€œÉ o ambulatório que atende os portadores da doença. Porque não adianta só detectar e não curar. Segundo os melhores médicos a doença tem cura. Em grande parte dos casos é no retratamento que o vírus é negativado, por isso estamos lutando para que a rede pública ofereça essa alternativa.”

Para efetivar a conquista, a ONG participou da elaboração da Carta de Brasília, no final de dezembro. “Participamos do 3.º Encontro Nacional de ONGs de hepatite C. A rede pública proíbe o retratamento. Nesse encontro, o assunto foi discutido. Na carta de 2005 foi solicitada a nova chance. Estamos aguardando esse avanço.”

A produção de um filme-documentário que retrata o centro assistido de tratamento dos portadores de hepatite C do Hospital da Unesp de Botucatu é considerado um avanço pela ONG. “Esse filme foi levado ao ministro da Saúde e recebeu o selo do ministério. Ele foi distribuído para os órgãos públicos do Brasil.” São 17 minutos de filme que registra o tratamento assistido de um infectado.

Compra de medicamentos

Com a interferência da ONG, o preço do medicamento baixou de preço, comenta o presidente Francisco Martucci. “Em junho de 2004, a nossa ONG foi chamada na Secretaria do Estado da Saúde para participar do edital de licitação para a compra de 310 mil frascos de Interferon Peguilado, medicamento que trata dos portadores da hepatite C. O preço baixou de R$ 1.200,00 para R$ 497,00, valor praticado para o governo.”