A Sociedade dos Amigos dos Pobres de Santo Antônio de Agudos é uma das ONGs que figuram dentre as 77% apontadas na pesquisa que não têm sequer um empregado. Apesar dos 30 anos de existência, a entidade sobrevive pelo esforço das 30 voluntárias que estão sempre de chapéu na mão, angariando fundos para continuar o trabalho de assistência às famílias pobres.
A assistente social que faz as visitas e determina quem deve receber as cestas básicas, passou em um concurso público e, a partir deste ano, não exercerá mais o trabalho, lamenta a presidente da entidade, Maria Anacyr Zulina Sormani. “Ela trabalhou como voluntária até o final do ano. Não sei como vamos fazer sem essa profissional.â€
A presidente admite que tem medo de assumir uma funcionária. “Não temos uma verba certa para receber. Este ano de 2004, estava previsto para recebermos 12 parcelas de uma verba da prefeitura. Recebemos duas. Eu tenho medo de assumir um compromisso desse porte.â€
Ela explica que é pelo esforço das voluntárias que a sociedade sobrevive. “Temos uma voluntária que cozinha muito bem. Ela faz tortas e doces e nós vendemos durante a semana toda.â€
Outra arrecadação vem do bazar permanente de artesanato. “As voluntárias confeccionam trabalhos manuais que são vendidos no bazar. Participamos da festa de Santo Antônio, no mês de julho, com a barraca de doces e recebemos uma porcentagem do leilão de gado que ocorre no mesmo evento. São nossas fontes de arrecadação.â€
A situação está tão difícil que a entidade passou a apelar até para outras fontes, diz a presidente. “Nós pedimos ao Ipem, eles nos ajudam uma vez por ano. Recentemente, pedi mercadorias apreendidas pela Delegacia da Receita Federal para uma possível venda.â€
Para efetuar uma reforma no telhado do prédio que abriga a sociedade, as voluntárias tiveram que suar a camisa. “A prefeitura deu a mão-de-obra para a execução dos serviços, mais especificamente a troca do telhado, que estava caindo. Mas todo o material foi comprado por nós. Fizemos rifas, chás e inúmeros eventos para conseguir o valor necessário.â€
Religiosas
A entidade religiosa, outra característica apontada pela pesquisa, não desanima com todos os obstáculos. “Não podemos desanimar, há muitos que contam com o trabalho da genteâ€, confessa a presidente Maria Anacyr Zulina Sormani.
Ela lembra que a sociedade da qual ela é presidente distribui 30 cestas básicas mensais. “Atendemos 30 famílias carentes. É a assistente social que faz a triagem.â€
O trabalho das voluntárias não pára aí. “Temos cerca de 40 máquinas de costura e uma voluntária que ensina as mulheres a costurar. Todo o trabalho feito, elas levam para suas casas.â€
O curso de costura industrial oferecido para aqueles que não tem profissão definida. “Com a costura industrial; essas pessoas passam a ter melhores chances no mercado de trabalho e condições de arrumar um emprego e deixar de precisar do trabalho assistencial.â€
A entidade oferece ainda os cursos de crochê, tricô, artesanato, pintura em tecido, pintura a óleo em tela. “Elas fazem tapetes e muitas outras coisas. Aprendem a fazer trabalhos manuais com os quais podem conseguir uma renda própria.â€