O constante conflito de interesses entre empregadores e empregados levou o ofício (escritório) do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Bauru a dobrar sua estrutura para atender a demanda. Em apenas três anos, o total de procuradores passou de dois para quatro e o de servidores, de três para seis, além de outros dois estagiários. O volume de atividades ainda exigiu que o órgão fosse transferido para novas instalações, inauguradas ontem à tarde.
“O nosso espaço físico de antes não estava acomodando todo mundo. Nós imaginávamos esse crescimento em Bauru. A partir do momento que o MPT está em outras localidades, apareceram demandas que nós sabíamos que iam aparecer. Exatamente porque nós estamos facilitando o acesso da população a cada dia”, diz a procuradora-geral do MPT, Sandra Lia Simón, durante a solenidade de inauguração.
De acordo com ela, a meta é avançar no processo de interiorização do órgão que, até 2001, mantinha escritórios somente nas Capitais dos Estados e em Campinas, onde foi criada a 15.ª Região, responsável por mais de 600 municípios do Interior paulista.
“Com o processo, os próprios trabalhadores e sindicatos são estimulados a exercer seus direitos. Além da demanda reprimida, existe esse fator: o trabalhador não conhecia o MPT”, acrescenta o procurador do ofício de Bauru Luís Henrique Rafael.
De acordo com ele, nestes últimos três anos o número de ações civis públicas ajuizadas em Bauru é o dobro do número ajuizado pela 15.ª Região, em Campinas. Lá, no entanto, o total de procedimentos de investigação referentes a irregularidades é maior.
O fluxo de trabalho fez com que o ofício local ganhasse o quarto procurador. Cássio Dalla-Déa deixa Campinas e passa a exercer suas funções a partir deste mês no município. “Estou muito entusiasmado. O trabalho aqui é muito proveitoso. Conheço bem os problemas da região”, diz o procurador, natural de Dois Córregos.
Também demonstrou satisfação com a ampliação do MPT a subdelegada do Ministério do Trabalho em Bauru, Maria Rita Maringoni. Na opinião dela, como os dois órgãos trabalham com o mesmo público e a subdelegacia atende no máximo de seu limite, em alguns casos, a ação pode até ficar restrita à Procuradoria do Trabalho.
“Consideramos ótima a ampliação. É um modo do trabalhador ter respaldo. O MPT tem que ser cada vez mais difundido e divulgado”, reitera Sônia Carvalho, dirigente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais. Concorda com ela o presidente da subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Edson Reis, para quem a interiorização do órgão facilitou o dia-a-dia dos advogados, anteriormente obrigados a se deslocar até Campinas.