Não tem jeito: começa o ano e com ele chegam os carnês do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), do Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA), da matrícula da escola, além da lista de material escolar. Essas despesas típicas dos primeiros meses do ano podem, juntas, abocanhar mais de 80% do salário do trabalhador.
Os cálculos são do economista Said Yusuf Abu Lawi, diretor-geral do Instituto de Ensino Superior de Bauru (Iesb)/Preve.
Ele toma como base um assalariado com renda de R$ 1.000,00, que possua um veículo não muito novo (IPVA de R$ 600,00) e uma casa num bairro de classe média (IPTU de R$ 200,00). “Claro que tudo pode variar de pessoa para pessoa”, salienta.
Esse levantamento foi feito apenas para demonstrar como essas dívidas de início de ano mexem com o bolso do cidadão.
O economista lembra que, embora já sejam despesas tradicionais, nem sempre as pessoas guardam uma reserva para pagá-las. “No final do ano, há muitos gastos com as festas e a maioria das pessoas não guarda o 13.º salário para essa finalidade”, destaca.
Nesse caso, segundo ele, o ideal é parcelar as dívidas. O IPTU, por exemplo, pode ser dividido em até 10 vezes. Já o IPVA é mais oneroso, pois só é parcelado em três vezes. “Se tiver condições, o melhor é pagar à vista”, diz.
O IPTU tem 10% de desconto para pagamentos à vista. No caso do IPVA, a quitação de uma só vez garante 3,5% de desconto para o contribuinte.
Como são percentuais baixos, não é viável contrair empréstimos para pagar esses tributos, atesta o economista.
Além desses carnês, é nessa época do ano que chega em casa a lista de material escolar das crianças e, em alguns casos, a taxa de matrícula das escolas vem junto.
O também economista Fernando Martha de Pinho, ressalta que essas despesas desfalcam o orçamento familiar e precisam ser planejadas com antecedência. “Não dá para fugir dessas dívidas do começo do ano. O melhor é guardar uma reserva do 13.º”, destaca.
Ele lembra que o valor dessas despesas varia de acordo com o estilo de vida de cada pessoa e pode abocanhar uma boa parte do salário caso o contribuinte tenha um padrão de vida mais alto. “Se a pessoa tem mais de um automóvel, por exemplo, os gastos vão ser muito mais altos”, frisa.
Financiamento
Alguns bancos estão colocando à disposição de seus clientes linhas de crédito voltadas para amenizar o “sufoco” do começo do ano.
No Banco do Brasil, por exemplo, há um financiamento destinado para a compra de material escolar.
De acordo com Adalberto Bachega, gerente de contas da pessoa jurídica, a taxa de juros nesse caso é mais baixa do que a do crédito pessoal. “Os juros são de 2,9% ao mês, enquanto o crédito pessoal varia de 4% a 5% ao mês”, destaca.
Para obter esse financiamento, a pessoa deve ser cliente do banco e possuir o cartão com a bandeira Visa. Ela deve se dirigir direto à loja afiliada ao sistema e realizar a transação.
Já a Caixa Econômica Federal (CEF) não possui uma linha de crédito específica para essas despesas, mas disponibiliza para seus clientes empréstimos automáticos na conta, que podem ser usados para quitar essas dívidas.
De acordo com a assessoria de imprensa do banco, há o Crédito Pessoal, a Consignação e o CredSênior Especial. Os juros variam de 1,75% a 5,49%, conforme o crédito obtido e o prazo para o pagamento.
Para o economista Said Yusuf Abu Lawi, apesar dessas facilidades do mercado financeiro, o melhor ainda é negociar direto com o lojista. “Assim, é possível barganhar e conseguir juros ainda menores”, garante.