09 de julho de 2026
Regional

Prefeitura da Barra vai atrasar salários

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Barra Bonita - Os cerca de 800 servidores municipais da Estância Turística de Barra Bonita (68 quilômetros a sudeste de Bauru) poderão ficar sem receber o salário do mês de dezembro, que deveria ser pago até sexta-feira. De acordo com o prefeito Dimas de Sales Paiva (PSDB), que assumiu o cargo no último sábado, não há dinheiro em caixa para efetuar o pagamento. “Recebi a prefeitura sem recursos financeiros”, salienta.

Ele destaca que seriam necessários pelo menos R$ 700 mil para cumprir o compromisso com os funcionários. Esse valor é referente apenas ao salário propriamente dito, sem contar os encargos sociais.

Para solucionar o problema, o prefeito diz que vai precisar contar com a colaboração dos servidores. “Vamos tentar conseguir um empréstimo para sanar esse problema, mas, se isso não for possível, acredito que dia 12 já teremos dinheiro para efetuar a folha de pagamento. Vai atrasar, mas não será por tanto tempo”, salienta.

Além da falta de verbas, o prefeito recém-empossado reclama que a prefeitura está sem estoque, com a parte de maquinário em estado precário e em dívida com algumas entidades sociais que são subsidiadas pela administração municipal.

Uma dessas pendências diz respeito ao Hospital e Maternidade São José, entidade particular que recebe subsídios do governo. Paiva explica que em outubro, logo após as eleições, a prefeitura cortou grande parte das verbas que eram destinadas à entidade, o que provocou dívidas em cascata com os fornecedores.

“Antes eram repassados R$ 150 mil, R$ 200 mil por mês para o hospital. Em dezembro, por exemplo, foram destinados apenas R$ 15 mil para o caixa da entidade, o que acabou acumulando débitos”, salienta.

Segundo o prefeito, depois do pleito municipal, a diretoria do hospital, que era ligada à prefeitura, renunciou ao cargo. “Como o prefeito perdeu a eleição, os diretores pediram exoneração do cargo ainda em outubro”, conta.

Para contornar a situação e manter os atendimentos à população, o prefeito destaca que houve uma mobilização da diretoria que assumiu a entidade para conseguir recursos financeiros.

O ex-prefeito de Barra Bonita, José Carlos de Mello Teixeira (PMDB), afirma que a reclamação do atual administrador do município não é procedente. “Eu deixei dinheiro em caixa para a folha de pagamento”, diz.

De acordo com ele, as declarações de Paiva não têm fundamento. “Esses absurdos são comuns. Geralmente, os prefeitos que entram tentam colocar a culpa de tudo o que acontece na prefeitura no seu antecessor”, diz.

Ele salienta ainda que o problema com o hospital aconteceu devido a um impasse nas negociações com o prefeito eleito. “Nossa meta, logo após as eleições, era enquadrar a prefeitura na Lei de Responsabilidade Fiscal. Com isso, o hospital deixou de ser prioridade”, frisa o ex-prefeito.

Ele destaca que tentou por várias vezes se reunir com o prefeito eleito para discutir esse assunto, mas que ele se recusou.

No escuro

Outro problema detectado pelo novo prefeito da estância foi com relação a uma dívida da prefeitura com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

Até dezembro, a administração municipal devia à empresa cerca de R$ 500 mil. O prefeito anterior tentou, por três vezes, conseguir o apoio da Câmara Municipal para parcelar o montante, mas o pedido foi recusado.

Diante desse problema, Teixeira decidiu usar os recursos que tinha em caixa para quitar R$ 400 mil junto à empresa. Com isso, deixou-se de pagar o auxílio-transporte dos estudantes e o subsídio do hospital.

Paiva destaca que ainda restam R$ 100 mil para ser pagos à CPFL, refente à conta de energia de dezembro. “Além disso, fiquei sabendo hoje de manhã (ontem) que existe um departamento da prefeitura que está sem energia por falta de pagamento”, diz.

O atual prefeito salienta que uma de suas prioridades agora é quitar essa dívida. “Eu tenho que pagar, não resta outra saída”, afirma.