O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) analisou e classificou um fenômeno meteorológico ocorrido na região de Campinas anteontem à noite. A princípio, falou-se em tornado, mas a meteorologista Lúcia Goularte esclarece que pelas características trata-se de uma microexplosão.
O fenômeno é uma coluna de ar que desce da nuvem e, ao chegar à superfície do solo, se espalha. “Para entender como é a microexplosão, imagine uma ducha d’água dessas de jardim virada para o solo que, ao invés de água, conduz ar. É um túnel de vento que, ao chegar à superfície, se espalha”, diz.
Já o tornado, é uma coluna de ar girando violentamente e que é observada como uma nuvem funil. Seu redemoinho, geralmente com algumas centenas de metros de diâmetro, gira normalmente no sentido ciclônico com velocidades estimadas entre 160 e 480 quilômetros por hora.
No fenômeno ocorrido em Campinas, o vento mais forte registrado pelo radar do IPMet, a três quilômetros de altura do solo, foi de 60 quilômetros por hora. “Além da forma, a velocidade do vento também não era de tornado”, explica Lúcia. Mesmo assim, o fenômeno arrancou árvores numa fazenda onde ocorreu.
Anteontem, a meteorologista Ana Maria Gomes Held, pesquisadora do IPMet, disse que Bauru e região não estão livres de tornados semelhantes ao que atingiu Criciúma (Santa Catarina) nesta semana, causando estragos. No dia 25 de maio do ano passado, o radar do instituto observou o fenômeno atmosférico em Palmital e na região de Lençóis Paulista.