09 de julho de 2026
Polícia

Bauru teve 1 furto a cada 1h20 em 2004

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Se não fosse o preocupante avanço dos casos de homicídios em Bauru no ano passado, a Polícia Militar (PM) só teria motivos para celebrar os dados sobre a criminalidade no período, divulgados ontem pelo 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I). Com alta de 24,3% em relação aos registros de 2003, o homicídio é o único entre os delitos contabilizados a registrar aumento na mesma base de comparação - os outros itens, que incluem roubos e furtos -, tiveram redução média de 25,6%.

O dado que mais chama a atenção no levantamento é o de furtos, que somaram 6.547 ocorrências (incluindo veículos) no ano passado, ou 545,3 por mês e 18,1 por dia. Com isso, os bauruenses em média acabaram vítima deste tipo de delito em 2004 a cada uma hora e 20 minutos.

Os números da PM relativos a homicídios diferem dos divulgados pelo JC - que contabilizou 63 mortes em 2004 - por uma diferença nos critérios do levantamento. Ao contrário da PM, a reportagem inclui nas suas estatísticas todo tipo de morte violenta, como tentativa de homicídio seguida de morte e latrocínio, por exemplo, crimes que recebem no levantamento policial classificações distintas.

O comandante do 4.º BPM-I, tenente-coronel José Alexandre Cintra Borin, destaca porém que, se analisados os dados gerais de toda a região pertencente ao batalhão, que inclui 19 cidades, os resultados são “animadores”, já que até mesmo o crime de homicídio fechou 2004 com queda de 3,1% em relação a 2003, numa tendência de redução que se repete pelo terceiro ano consecutivo. Os demais delitos na região seguiram a tendência dos registrados em Bauru.

Sobre a alarmante freqüência com que acontecem furtos na cidade - um a cada uma hora 20 minutos -, Borin lembra que este é o delito de notificação mais abrangente. “Há os casos mais graves de furto, como a residências e veículos, mas a PM também acolhe ocorrências em que o produto do crime é de valor ínfimo, como roupa, galinha e sapato”, explica o comandante.

Mas Borin insiste que, mesmo com uma notificação que para ele é bastante próxima da realidade, os furtos (gerais e de veículos) também tiveram uma redução significativa de 15,2% no ano passado. “A subnotificação de crimes até existe, mas não é tão grande na cidade. As pessoas estão se conscientizando que em qualquer ocorrência o 190 (telefone da polícia) deve ser acionado”, diz.

Ele acredita que alguns resquícios de resistências em relatar os crimes são motivados pela impressão de que a PM não dá a devida atenção a ocorrências consideradas menores. “Quando acionada, a PM atende a todos. O que acontece algumas vezes é que os policiais precisam priorizar alguns atendimentos. Se estivermos diante de um furto e de um roubo (que pressupõe uso de violência), vamos atender primeiro aquele que é mais grave”, explica.

O policial ressalta que, numa comparação com cidades de porte semelhante, com mais de 100 mil habitantes, Bauru pode ser considerada uma cidade “tranqüila” em termos de criminalidade. “Os dados são animadores, mas a meta da PM é sempre diminuir cada vez mais estes índices”, diz o comandante.

Trabalho conjunto

O comandante do 4.º BPM-I credita a queda generalizada das ocorrências na região ao empenho e eficiênacia da Polícia Militar, mas também à participação cada vez mais ativa da comunidade no processo de combate ao crime. Para ele, as pessoas vêm adotando medidas primárias de segurança que antes era negligenciadas.

Neste sentido, Borin avalia que a adoção cada vez mais efetiva dos princípios básicos da Polícia Comunitária (descentralização através das bases, policiais fixados em regiões determinadas e mais próximos dos moradores, desenvolvimento de campanhas sociais, educativas e de cidadania, entre outros) também tem papel decisiva para a redução dos índices de criminalidade.

Estes princípios, continua, incluem atuações conjuntas entre PM e comunidade também em ações de intervenção política. Para exemplificar, Borin lembra iniciativas como a de apoiar proposições do Legislativo (como no projeto de fechar os bares em determinados horários, que ainda tramita na Câmara) e nos pedidos junto ao Executivo de reforço na iluminação pública de regiões periféricas da cidade.

Um exemplo desta sinergia entre PM e comunidade, diz o comandante, é a consolidação da atuação dos Conselhos de Segurança Comunitário (Consegs), cuja atuação Borin qualifica de “fundamental” no processo de combate ao crime. “Os Consegs de Bauru têm dado uma demonstração de eficiência e eficácia que não vejo em cidades que contam órgãos semelhantes”, diz.