09 de julho de 2026
Economia & Negócios

ANS terá ranking dos planos de saúde

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) está fazendo um “ranking de qualidade” das operadoras de planos de saúde que operam em todo País (ao todo são 1.700) para servir como base de informação aos usuários. A expectativa é de que o levantamento fique pronto até o final deste semestre. A informação foi dada ontem, em Bauru, pelo diretor de normas e habilitação das operadoras, da ANS, Alfredo Luiz de Almeida Cardoso.

De acordo com ele, no final do ano passado a ANS lançou um programa de qualificação de operadoras de planos de saúde.

“A idéia é deixar transparente para os usuários critérios objetivos da qualidade do plano de saúde e do prestador dos serviços. No que diz respeito às operadoras, hoje em dia o único parâmetro de comparação que se tem é em relação aos preços cobrados. Mas isso não diz respeito à qualidade dos serviços”, observa.

Diante disso, a ANS decidiu fazer o ranking para tornar a qualidade objetiva das ações de saúde como um dos principais fatores da regulação do sistema. “Ou seja, se nós, da agência, pudermos deixar transparente para o consumidor quais são as melhores operadoras, com base em critérios objetivos, estaremos transformando esse mercado de uma forma muito positiva”, avalia Cardoso.

De acordo com ele, o ranking envolve índices técnicos de assistência médica, índice econômico/financeiro das operadoras, índices referentes ao cumprimento das normas operacionais expedidas pela ANS e, por fim, índices de satisfação dos usuários de planos de saúde.

“Esses dados estão sendo compilados, mas a consistência deles têm que ser checada à exaustão para que não sejamos levianos no momento de divulgá-los. Portanto, o levantamento completo levará algum tempo para ser concluído. Mas acredito que até o final do primeiro semestre deste ano ele poderá ser divulgado”, avalia.

De acordo com Cardoso, no Estado de São Paulo é baixo o índice de problemas relacionados à qualidade dos serviços prestados pelas operadoras de saúde em comparação com outros Estados. Contudo, a questão da carência para utilização dos planos ainda é um problema a ser enfrentado e solucionado.

Reunião

Acompanhado pelo gerente-geral de normas e análise de mercado da ANS, Irapuã Gonçalves de Lima Beltrão, Cardoso veio à cidade para uma reunião com os presidentes das 13 unidades regionais abrangidas pela Federação das Unimeds do Centro-Oeste Paulista, que fica em Bauru e é presidida pelo médico Nilton Busch. Na ocasião, aproveitou para conhecer o Hospital da Unimed e diz ter ficado “muito bem impressionado” com a estrutura que encontrou.

“O hospital daqui é referência e um modelo a ser seguido pela própria Unimed. Nossa visita também visa aumenatr os laços de conhecimento da ANS com a Confederação das Unimeds paulistas, aqui representada pela Federação Centro-Oeste, como forma de ativar algumas informações que não estavam sendo passadas por motivos circunstanciais”, observa Cardoso.

Durante entrevista coletiva concedida à imprensa ontem, ele admitiu que quando a ANS foi criada surgiram alguns questionamentos por parte das operadoras de planos de saúde em relação à abrangência da agência. Agora, a nova diretoria quer sanar essas pendências.

“Por um motivo circunstancial, as Unimeds de São Paulo mantiveram durante um período um certo distanciamento da ANS, seja no envio de informações ou no estreitamento do contato conosco. Desde que assumimos a diretoria, decidimos sanar essas pendências e entender as peculiaridades desse mercado.”

Medicina preventiva

Em relação à tendência das operadoras trabalharem com ações e planos referentes à medicina preventiva, Cardoso diz que, futuramente, a idéia é que essas empresas tornem-se gestoras de saúde.

“Sabe-se que é mais barato prevenir do que tratar doenças. Nos índices assistenciais que a agência vai levar em conta inclusive no ranking que está sendo feito, um grande peso será dado aos índices que mostram um cuidado das operadoras no que diz respeito à promoção de saúde e prevenção de doenças”, destaca.

Segundo Cardoso, o objetivo é que as operadoras de planos de saúde deixem de ser somente intermediadoras na venda ou no acesso a serviços médicos para tratar doenças e passem a ser uma espécie de gestoras da saúde de seus clientes.