O recorde de exportações do agronegócio garantiu o superávit da balança comercial brasileira em 2004, segundo balanço do setor apresentado ontem pelo Ministério da Agricultura. Com vendas externas de US$ 39,016 bilhões, o agronegócio nacional conseguiu um superávit de US$ 34,134 bilhões, maior, portanto, que o superávit total de US$ 33,7 bilhões, e 32,1% maior que em 2003.
Os números indicam recorde histórico do agronegócio, que cresceu 27,3% em relação a 2003 (US$ 8,37 bilhões a mais de vendas externas) e colocam o setor como responsável por 40,4% das exportações totais brasileiras, que foram de US$ 96,47 bilhões em 2004.
Em 2005 o crescimento deverá ser menor, de 10% a 15%, com as exportações ficando entre US$ 43 bilhões e US$ 45 bilhões, segundo expectativa do coordenador de apoio à comercialização do Ministério da Agricultura, Eliezer Lopes.
Desaquecimento da economia mundial, taxas de câmbio depreciadas e queda nos preços das commodities (produtos como a soja, por exemplo) são os principais fatores indicados por Lopes para a desaceleração do crescimento das vendas externas brasileiras dos produtos agrícolas, pecuários e florestais neste ano.
Diversificação e conquista de novos mercados, crescimento da economia mundial, quebra de safras e aparecimento de pragas e doenças nos concorrentes, além de ganhos em qualidade e produtividade, justificam, segundo Lopes, os últimos quatro anos de comportamento excepcional do setor.
As exportações de US$ 24,6 bilhões em 2002, gerando saldo comercial de US$ 20,4 bilhões, foram seguidas de novos bons resultados em 2003, quando as vendas externas passaram para US$ 30,7 bilhões e o saldo para US$25,8 bilhões.
A redução, em 2005, nos preços de produtos como soja, trigo, milho e algodão, devido à superprodução mundial, principalmente dos Estados Unidos e acompanhada por crescimento da oferta brasileira, deverão ter compensações em outros produtos como café, açúcar, álcool e carnes, afirmou o Secretário de Produção e Comercialização do Ministério, Irineu Costa Lima.
Também cafeicultor, Lima vê grandes possibilidades, este ano, na “agroenergia”, representada pelos biocombustíveis, e no café que, além do aumento de produção (previsão de 30 milhões de sacas), começa o ano sendo vendido a US$ 105 a saca e cotação na Bolsa de Nova Iorque de US$ 136 para julho. Um salto em relação aos US$ 40 a saca, em 2002, preço médio de US$ 56 em 2003 e de US$ 76, em 2004.
O balanço apresentado pelo Ministério da Agricultura indica que praticamente todos os produtos do setor contribuíram positivamente para o aumento das exportações. No geral, os preços dos produtos exportados tiveram uma elevação de 11%, melhorando a remuneração dos produtores que ainda aumentaram em 15% a quantidade exportada.
Os destaques nas exportações, no entanto, ficaram com o complexo soja, carnes, açúcar e álcool, madeiras brutas e industrializadas.
As exportações do complexo soja (grãos, farelo e óleo) cresceram 23,7% (de US$ 8,1 bilhões para US$ 10 bilhões) em valor, embora a quantidade exportada tenha se elevado em apenas 0,76%, devido aos aumentos de 29,9% no preço dos grãos, de 18% no de farelo e de 11% no de óleo.
O setor de carnes teve crescimento excepcional de 50,4%, com as vendas passando de US$ 4,1 bilhões para US$ 6,1 bilhões e respondendo por um quarto do crescimento total das exportações do agronegócio. Houve um aumento de 26,8% no volume de carnes embarcado e de 15% nos preços.
O aparecimento da doença da vaca louca nos Estados Unidos e Canadá, e da gripe do frango na Ásia e também nos Estados Unidos e Canadá, foi fundamental para esse crescimento no setor de carnes, proporcionando a conquista de novos mercados. Destaque para a carne in natura, cujas vendas cresceram 70%, passando de US$ 1,1 bilhão para US$ 1,9 bilhão. Para o frango in natura, o aumento foi de 45,8% (US$ 1,7 bilhão para US$ 2,5 bilhões) e, para a carne suína, 41,3% (vendas de US$ 744 bilhões).