10 de julho de 2026
Cultura

'O Grito' traz tradição do terror japonês

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Depois da febre dos filmes de terror adolescente, renovada com a série “Pânico” e que trouxe subprodutos como “Eu sei o que vocês fizeram no verão passado” e os pastelões de “Todo mundo em pânico”, é a vez dos japoneses mostrarem o que os aflige. E, pelo menos nos cinemas, o que faz os orientais pularem nas cadeiras (e lotarem as salas) são os fantasmas – de preferência do sexo feminino, com cabelos compridos e olhos assustadores. Se houver alguma criança, o negócio fica melhor ainda.

Já foi assim com a refilmagem de “Ringu”, “O Chamado”, que rendeu R$ 230 milhões nas bilheterias, e é assim com “O Grito” (“The Grudge”), que tem produção de Sam Raimi (“Homem-Aranha”) e estréia hoje nos cinemas de Bauru. O filme é a nova versão de “Ju-On”, comandado pelo mesmo diretor, Takeshi Shimizu, e já teve pré-estréia no último final de semana.

Numa decisão que nunca é apreciada pelos estúdios de Hollywood, mas que consegue o resultado esperado, Shimizu e os produtores decidiram manter a história no Japão e apenas instalaram na trama os atores americanos como emigrantes. Como em “Encontros e Desencontros” - porém com menor intensidade -, o filme acaba por focar a solidão dos personagens em meio a um mundo desconhecido, de ruas iluminadas e espaços fechados apertados, com uma língua estranha e, para não deixar barato, ainda apavorados com o sobrenatural.

Assim como outras produções japonesas do gênero, o filme dedica-se menos a explicações e mais ao clima permanente de suspense e aos sustos elaborados, mesmo que previsíveis. A produção ganha pontos também ao apresentar-se de forma não-linear, desorientando o público e passando para frente o papel de encaixar as peças.

Na história, Karen (Sarah Michelle Gellar) é uma intercambiária na faculdade de Serviço Social que está no Japão acompanhando o marido. Indicada para substituir uma enfermeira, ela encontra a casa designada abandonada, com sua paciente, uma americana idosa, sozinha e em estado catatônico. Dentro da residência, a estudante vai descobrir um terror sobrenatural, que a coloca num ciclo assustador de mortes e vingança.

“O Grito” aposta em fantasmas rancorosos, buscando mortes de inocentes com quem entram em contato. Nesse caso, a casa é o ponto de partida do ciclo de terror. Uma lenda, explicada no filme, conta que toda pessoa que morre em situação de extrema raiva ou mágoa acaba presa nesse mundo, amaldiçoada a transformar seu ódio nas mortes violentas de quem quer que seja.

Com um elenco de atores experientes e orçamento que permitiu uma evolução grande dos efeitos especiais, em comparação com o filme original, Shimizu dá a impressão de prender-se a um único objetivo durante “O Grito”: assustar seu público e fazê-lo se segurar nas cadeiras do cinema.

Ainda que tenha alguns momentos previsíveis, as imagens assustadoras da mulher e do garotinho-fantasma não vão ser esquecidas facilmente. E mesmo que, ao final do filme, o espectador exclame um “Aaah, nem era tudo isso”, não é possível negar que, durante a exibição, todo mundo suou frio e deu um pulo na cadeira.

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Walter Salles

Seguindo a onda do terror oriental, o diretor brasileiro é o próximo a entregar um filme baseado em produções japonesas do gênero. “Dark Water” tem previsão de estréia para este ano e será a aguardada estréia do diretor em uma produção de um estúdio americano, o Buena Vista, da Disney.

O filme apresenta uma mãe recém divorciada (Jennifer Connelly) que se muda com sua filha de seis anos para um apartamento antigo. Na residência, uma goteira insiste em aparecer e a menina começa a conversar com um amigo imaginário, que pode apenas ser fruto da imaginação da garota. Ou não. O filme tem estréia prevista para agosto, nos Estados Unidos. No Brasil, ainda não há data definida.