09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

PIOR QUE A MISÉRIA É A INDIGÊNCIA MORAL


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O maior mal do qual o Brasil vem se ressentindo não é a miséria, não é a fome; não são nem mesmo os marginais que se homiziam nos desvãos das favelas: raptando, estuprando, saqueando, matando.

Maior que todas essas privações são as hordas criminosas de indigentes morais que, através de um sistema político degradado, vêm se infiltrando nos próprios poderes. Daí, as iniqüidades que campeiam por este Brasil afora, seviciando a nossa sociedade, mantendo a população em estado de miserabilidade.

Por sorte, a aberração não é total. Resta no sistema, nos poderes e na política cidadãos probos, idealistas, que procuram salvaguardar as instituições, da completa decomposição. Isto seria o caos, seria o esfacelamento das organizações político-administrativas da nação.

Os planos desses marginais de colarinho branco são pessoais, deletérios e destrutivos. Ofendem a dignidade dos poderes, da sociedade, da nação, os quais, como mercadores da indignidade administrativa, tentam instalar nos poderes a completa indigência moral.

Entremeio a tal panorama de abjeção e de vileza surge uma esperança. São jovens procuradores públicos que, imbuídos de um idealismo sadio, de um elevado civismo, vêm estoicamente desnudando os desvios de conduta de setores político-administrativos públicos. Contudo, para que possam estes se munir de melhor respaldo no combate ao crime, é preciso que os poderes, em especial o Legislativo, extirpem da nossa legislação os entraves que servem de arrimo às falcatruas de falsos políticos e maus administradores. Que se extinga dos poderes o indecoroso corporativismo. Que as reformas estruturais sejam de verdade, não para embair a crença do povo, da sociedade, dando oportunidade a um grupo de privilegiados continuar na vida de Fausto e exibicionismo. Pior que o crime, a marginalidade, a miséria ou a fome são as imoralidades, a falta de civismo, a indigência de caráter do homem, especialmente do homem público. Não adianta gastar o dinheiro suado de um povo sofrido com propaganda como esta: “Sou brasileiro, não desisto.” Isto não possui um mínimo de conteúdo. O essencial são os exemplos, são as realizações, não as palavras. (Áureo Corrêa de Souza)