O ex-prefeito Nilson Costa, com sua habitual modéstia zero, acha que ele foi um bom prefeito para a cidade de Bauru. Eu simplesmente não acho, e ambos temos o direito de pensarmos e de expressarmos nossas distintas opiniões a respeito do mesmo fato político. Mas e daí? Essa não é uma simples questão de ponto-de-vista? Pode não ser, dependendo de até onde a vista alcança e de até onde, sob um olhar crítico, se queira enxergar a verdadeira realidade do cotidiano bauruense.
Mas ele não se gaba em dizer que fez mais de duzentas obras? É verdade, mas eu prefiro enxergar sob uma outra ótica. E nestes seis anos de governo, pela quantidade de recursos orçamentários e outras fontes de recursos que o ex-prefeito teve a sua disposição, simplesmente daria para ter feito muito mais e também melhor, não fosse aquele “probleminha” de sempre que qualquer dona de casa que administra o orçamento familiar sabe bem, quer dizer, “gasta-se mais do que se tem”. E nas finanças públicas bauruenses assim também ocorreu, ou seja, “as despesas públicas aumentaram bem mais que proporcionalmente ao aumento das receitas públicas”, e enquanto não se acabar com essa “gandaia pública” vai ser sempre assim. E quem paga a conta? Todos nós, distintos contribuintes, ou em outras palavras, o governo custa muito dinheiro ao cidadão e oferece muito pouco em troca e, sendo assim, não há porquê jactar-se por seus meros feitos.
Ademais, a gestão pública do senhor Nilson foi marcada por inúmeras denúncias de irregularidades e de mazelas públicas, resultados sociais pífios, uma certa “lentidão” e ineficiência político-administrativa, uma relação desarmoniosa entre os poderes Executivo e Legislativo, um isolamento político-partidário de Bauru com as demais esferas de poder (estadual e federal) e também uma certa dificuldade em agregar as forças vivas da cidade, numa espécie de divórcio entre governo e sociedade, quer dizer, fora todos esses “pequenos detalhes”, de resto seu governo foi uma ma-ra-vi-lha.
A verdade verdadeira dos fatos é que nestes seis anos de desgoverno quiseram de todas as formas iludir-nos com a promessa de um “falso bauruísmo”. E num exercício fantasioso da imaginação quiseram vender-nos a imagem de uma “Baurulândia” fértil na imaginação ufanista de alguns, mas esta mera sensação de um aparente progresso contradiz, e difere em muito da realidade consumada do dia-a-dia do cidadão bauruense e, infelizmente, não podemos fechar os olhos para essa questão e desprezarmos esta flagrante realidade (basta ver o abandono que se encontra nossos bairros periféricos, que só são notados em períodos eleitorais). No entanto, contra fatos não há argumentos, e esta política do fato consumado que se nos apresenta foi claramente expressa pela opinião pública nas inúmeras manifestações de cartas de leitores para esta democrática Tribuna nestes seis anos do governo do “bem” e, como contabilizou o leitor Eduardo Rubio, foram 435 manchetes negativas publicadas pelo JC. Também, o ex-prefeito Nilson Costa e sua “incontinenti” assessoria de imprensa, sempre procuraram desvirtuar e descaracterizar o “teor das críticas”, e não raras vezes ao invés de respondê-las a contento acharam mais fácil simplesmente “desqualificar” os autores das críticas, numa inequívoca falta de argumentação, num sinal de despreparo e de desrespeito ao exercício crítico da cidadania, próprio do regime democrático.
E agindo assim, baseado nessa premissa hipócrita, especializaram-se em falsear a verdade, em justificar o injustificável, numa distorção grotesca da realidade dos fatos. De qualquer forma, no apagar das luzes de sua improfícua gestão, finalmente a máscara caiu, o resultado aí está, e como o estrago já está feito, a realidade já começa a cobrar a conta, sim, a conta que o “legado do bem” deixou-nos (R$ 34,5 milhões) e que nós, contribuintes, certamente iremos pagar. Para quem quer enxergar. (Aurélio da Silva Braga - RG 12.912.493)