Muito se tem falado sobre a amizade, esse sentimento que cria o amigo. Mas quem seria realmente o amigo? Muitas vezes, erroneamente definimos como amigo o colega de trabalho, vizinho, companheiro de futebol, pescaria etc... Outras vezes, definimos que o amigo é como se fosse um irmão. Tais definições são totalmente equivocadas, uma vez que o colega de trabalho pode ser demitido, transferido ou mudar-se de emprego; o vizinho muda-se, ou mudamos nós; os companheiros distanciam-se, ficando apenas a lembrança daquelas pessoas bacanas com as quais convivemos determinado período de nossa vida. Seria isso a amizade?
Também é errado definirmos o amigo como sendo um irmão, pois nem sempre a consangüinidade é sinônimo de amizade. Há quem diga que amigo é aquele que escolhemos. Também nem sempre essa afirmativa é verdadeira, pois quando percebemos já estamos dedicando amizade a uma pessoa sem que tenhamos feito uma seleção prévia, o que obviamente não impede que essa pessoa tenha vindo de nosso círculo de trabalho, vizinhança, lazer, família, ou seja, alguém que simplesmente, repentinamente tenha aparecido em nossa vida. Não existe um critério pré-definido para estabelecermos a amizade. Talvez seja empatia pura.
A amizade é incondicional, nada exigimos em troca. Acreditamos incondicionalmente no amigo e, por acreditarmos, julgamos que a recíproca seja verdadeira. Muitas vezes ficamos anos sem contato com o amigo, e quando o encontramos é como se estivéssemos separados há poucos dias. Sentimos uma alegria muito grande em encontrarmos o amigo, em estarmos com ele. Nele não vemos defeitos. E até por gostarmos incondicionalmente dele, julgamos ser possível discordar de algo. E aí, então, para nossa surpresa, descobrimos sua face intolerante, autoritária, que não aceita ser contrariado, preferindo deixar uma amizade de décadas. Não nos dá o direito de explicarmos nossa posição, simplesmente nos exclui. Percebemos, então, que nossa amizade era unilateral, só nós o tínhamos como amigo, pois para ele éramos simples conhecidos.
Apesar disso, pela própria incondicionalidade da amizade, ficamos em nosso canto torcendo para que nosso amigo possa encontrar amigos tão sinceros e leais, quanto nós o fomos. (Antonio Vitorino Ferreira - RG 9.817.501)