09 de julho de 2026
Articulistas

A sucessão na Câmara


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O movimento dos políticos pelos corredores de Brasília neste início de janeiro tornou-se curiosamente intenso, mesmo sem convocação extraordinária do Parlamento. Enquanto milhares de novos prefeitos tomavam posse pelo Brasil, as atenções voltavam-se para o plano federal, em especial para as eleições que definirão os novos presidentes da Câmara dos Deputados e Senado Federal.

No jogo político, um plano estratégico é essencial. Mapear aliados, dissidentes, bancadas e interesses é fundamental para o exercício da boa governança e da prática de relações públicas e governamentais sadias entre os poderes republicanos. Assim, como se entrelaçam interesses, é natural que o Poder Executivo tenha motivação em participar do jogo político que resulta na escolha dos chefes do Poder Legislativo.

O principal adversário do Planalto, curiosamente ou não, mais uma vez é o próprio partido que o levou ao poder - o Partido dos Trabalhadores. O exercício do poder tem, desde o primeiro momento, evidenciado suas fissuras, disputas e inconformismos, afinal, já foi dito que governar é criar descontentes, neste caso, em suas próprias hostes. Parlamentares ressentidos e preteridos pelo Planalto encontraram na eleição da Mesa a melhor oportunidade de mostrar ao governo sua importância. Assim, se o candidato petista-governista é Luiz Eduardo Greenhalgh, contrariando a tendência da base do partido, os deputados inconformados encontraram em Virgílio Guimarães, candidato preterido pelo Planalto, uma forma de mostrar sua força, instalando um racha no partido.

Entretanto, este não é primeiro nem o único empecilho criado pelo PT. A eleição para a presidência da Câmara de Vereadores de São Paulo evidenciou a falta de unidade do partido. O acordo entre PT e PSDB foi quebrado por uma leva de vereadores alinhados com Marta Suplicy. Como se isto não fosse o bastante, a bancada do PT ainda entrou com uma representação no MP contra José Serra. Tudo isto gerou um desconforto que pode levar o PSDB a retirar o apoio ao candidato petista-governista para a Câmara Federal.

Assim, naturalmente nomes alternativos começam a surgir, desde o principal nome da oposição, José Carlos Aleluia, até o de Michel Temer, da ala oposicionista do PMDB, passando pelo líder do PTB, José Múcio Monteiro.

Na medida em que o governo encontra problemas no processo de troca de comando na Câmara dos Deputados, a reforma ministerial se apresenta como moeda de troca para que sejam angariados os apoios necessários para a vitória do candidato palaciano. Este talvez não fosse um procedimento esperado pelo Planalto, entretanto, a inabilidade na condução do processo talvez leve a situação para este ponto. O governo deve lembrar que articulações vitoriosas são construídas por meio de interlocutores confiáveis e sólidos. No mais, o Planalto pode seguir o roteiro de uma empresa de relações governamentais: informação, agenda, preparação e antecipação. Esse é o segredo do sucesso, pelo menos no campo político. (O autor, Márcio Chalegre Coimbra, é advogado)