08 de julho de 2026
Geral

Calor pode elevar incidência de casos de conjuntivite e otite

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

Está aberta a temporada de verão e com ela a maior ocorrência de conjuntivite (inflamação na área dos olhos) e otite (infecção no canal auditivo). O calor e o contato com a água podem aumentar os riscos de contágio em ambas as doenças. As crianças são as mais afetadas.

A Secretaria de Estado da Saúde somou 9.319 registros de conjuntivite em São Paulo em 2004, contra 114.565 em 2003, ano em que ocorreram surtos da doença em diversas cidades brasileiras. Em Bauru, o Departamento de Saúde Coletiva (DSC) contabilizou 208 casos ano passado e 484 em 2003.

Apesar da queda no número de registros de conjuntivite, a diretora do DSC e médica sanitarista Maria Helena Abreu, ressalta a importância de se prevenir a doença no verão. “No verão as pessoas tendem a ir a locais contaminados e um dos fatores que mais ajudam na transmissão da conjuntivite é o contato”, explica.

A mesma preocupação ocorre com a otite, que segundo Abreu, não possui índices comparativos por não ser considerada de notificação obrigatória. “A otite tende a aumentar no verão em função das piscinas, principalmente com as crianças, que acabam abusando de piscinas e águas de rio que nem sempre são limpas”, diz.

A cabeleireira Claudete Guagliareli Pereira tem receio de deixar seus filhos Ricardo Alves e Rodrigo Alves, de 15 a 16 anos entrarem na piscina nesta época do ano. Ambos tiveram vários casos de otite na infância. “Se eles entrassem na piscina, o ouvido dos dois ficava inflamado. Algumas vezes, eu nem podia lavar o cabelo deles”, diz.

Segundo Abreu, as crianças são mais suscetíveis a contrair conjuntivite e otite. “Elas ficam mais juntas e podem acabar transmitindo conjuntivite a outras pessoas”, aponta. A salgadeira Sônia Aparecida Silva Faria conta que contraiu a doença em um desses aglomerados. “Eu trabalhava em creches. Teve um surto de conjuntivite lá e eu peguei”, diz.

Nos 60 casos notificados de doença no terceiro trimestre do ano passado, por exemplo, 33 eram de crianças de até 4 anos, quatro para 5 a 9 anos, oito para 10 a 14 anos, e 15 para pessoas acima de 15 anos.

A diretora do DSC explica que em locais de muita concentração de pessoas, como escolas, creches e asilos, os cuidados com a conjuntivite devem ser redobrados. “Quando se detecta um aumento em algum desses aglomerados, orientamos a unidade ou intervimos no local, verificando os problemas e avaliando também outras doenças”, diz.