08 de julho de 2026
Regional

MP denuncia golpe da casa própria

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - A empresa Cooperbens Administradora de Bens S/C Ltda está sendo acusada pelo Ministério Público de Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru) de crime contra o consumidor. Com sede em Bebedouro, a empresa instalou uma filial em Jaú e colocou vendedores na rua para oferecer planos para aquisição da casa própria.

No entanto, alguns clientes, depois de pagarem as parcelas exigidas pelo contrato, sentiram-se lesados pela empresa e procuraram a Justiça para denunciar.

Além da Cooperbens, o MP denunciou também a empresa Grifo Assessoria de Investimento Ltda, que foi contratada pela primeira para dar apoio aos negócios.

O caso está sendo investigado pelo promotor Luís Fernando Rosseto, que pediu a prisão preventiva dos responsáveis pelas duas empresas: os irmãos Anderson Sanches da Silva e Andreza Sanches da Silva (Cooperbens), José Carlos da Silva e Adalberto Luiz da Silva (Grifo). José Carlos é pai de Anderson e Andreza.

Pelo menos 35 pessoas já acionaram a Justiça com ações cíveis contra a “propaganda enganosa” da Cooperbens. Entre as vítimas estaria inclusive um padre do distrito de Potunduva. Entretanto, a ação do MP de Jaú teve início com base na denúncia formulada por uma moradora de Pederneiras.

“Má-fé”

De acordo com o promotor, a empresa teria induzido Rosangela de Souza Oliveira a erro ao anunciar uma coisa e entregar outra. Na avaliação de Rosseto, a Cooperbens teria agido de “má-fé” com seus clientes.

Segundo consta do processo, antes de saírem às ruas, os vendedores da empresa eram instruídos da seguinte forma: para ter direito a uma carta de crédito no valor de R$ 10 mil para aquisição da casa própria, os interessados precisavam dar uma entrada e depois quitar 18 parcelas mensais de um total de 180.

Foi o que fez Rosangela, moradora de Pederneiras. Ela ouviu a propaganda do plano em uma emissora de rádio de Jaú e se interessou pelo assunto. Depois de receber a visita de um vendedor da Cooperbens em sua casa, ela foi até o escritório da empresa em Jaú, onde fechou o negócio.

Ela deu uma entrada, pagou dez parcelas de forma antecipada, e quando quitou a 18ª foi até a empresa em busca de sua carta de crédito mas saiu de lá de mãos abanando e sentindo-se enganada, a exemplo de outros clientes.

Segundo contou, a empresa teria informado que para receber a tal carta de crédito no valor de R$ 10 mil seria preciso entrar em uma “fila” formada por outros compradores do plano. A previsão, segundo a Cooperbens, era de que a carta saísse “talvez” depois de um ano.

Inconformada, Rosangela procurou a polícia e relatou o que havia acontecido. Foi aberto inquérito policial e o caso, depois de passar pela Delegacia de Pederneiras e pela Seccional de Jaú, chegou ao conhecimento do MP, que pediu a prisão preventiva dos acusados.

O promotor Rosseto argumentou que a detenção dos envolvidos na suposta fraude evitaria que outras pessoas sejam lesadas pela empresa.

Em nota divulgada na imprensa de Jaú, em maio deste ano, a Cooperbens alegou que “muitas pessoas desconheciam esse método antigo de fazer negócio”. Que alguns clientes haviam “tomado um método por outro ou se embaralharam nas definições, acabando por atribuir defeitos nas qualidades”.

Prédio desocupado

A empresa funcionou por um bom tempo na rua Tenente Lopes, 52, no Centro de Jaú. Atualmente, o prédio está desocupado e passa por reformas. De acordo com vizinhos, o local foi desocupado há cerca de três ou quatro meses. Eles não souberam dizer se a empresa mudou-se para um outro endereço. No local, não existe nenhuma placa informando a mudança.

Em uma outra empresa, localizada à rua Amaral Gurgel,o proprietário Anderson Sanches da Silva, um dos acusados, não foi localizado para comentar as acusações. Pelo interfone, um funcionário informou que Anderson estava viajando e só retornaria hoje para Jaú.