Jaú - Depois de três anos economizando, organizando festas para arrecadar dinheiro e fazendo planos de uma viagem à praia para comemorar a formatura, um grupo de 60 pessoas, entre pais e alunos do Colégio Santo Antônio, em Itapuí (42 quilômetros a leste de Bauru), teve de desfazer as malas antes mesmo de sair de casa.
A agência contratada para cuidar do passeio dos alunos nas praias de Camboriú (SC), não havia pago a reserva do hotel e só comunicou a escola de que a viagem estava cancelada seis horas antes do embarque.
Assim como os alunos de Itapuí, outros clientes da Tour Company, com sede à rua Quintino Bocaiúva, no Centro de Jaú, também tiveram seus planos de viagem desfeitos. E o que é pior, muitos ainda não receberam o dinheiro de volta.
Os sintomas de que algo não andava bem com a agência começaram a ser notados no fim do ano passado, quando o 1º Distrito Policial de Jaú recebeu as primeiras denúncias. De lá para cá, a intensidade das reclamações foram aumentando e passaram a ser diárias, segundo informou o delegado Wanderley Benedito Vendramini.
Segundo ele, para cada viagem não realizada está sendo aberto um inquérito policial. O delegado não soube dizer com exatidão quantos inquéritos foram instaurados, mas garantiu que já são mais de dez. Alguns deles são coletivos. Ou seja, foram propostos por mais de uma vítima.
A lista das viagens desfeitas inclui, entre outros, um ex-vereador de Jaú e uma família de Bocaina. O ex-parlamentar pagou R$ 20 mil por uma viagem à Europa que não se concretizou. O dinheiro, segundo a vítima, ainda não foi ressarcido. Já a família de Bocaina teve um prejuízo ainda maior, segundo comentou o delegado. Depois de pagar R$ 50 mil por uma viagem à Suíça, os planos de um passeio nos alpes congelaram.
Vendramini contou que chegou a ser procurado recentemente por proprietários de uma agência de viagem de Bauru. Eles relataram ao delegado que clientes da Tour Company os teriam procurado cobrando passagens aéreas vendidas pela agência de Jaú.
De acordo com os donos da agência bauruense, eles nunca tiveram parceria comercial com a Tour Company e não sabiam de nada sobre a venda das passagens aéreas.
Portas fechadas
Diante de tantas reclamações, a agência acabou fechando as portas e o proprietário, Dionísio Palma Júnior, passou a dizer aos clientes que irá ressarcir o valor pago pelas viagens. “Mas, por enquanto, nenhuma vítima veio comunicar que foi efetivamente ressarcida”, disse o delegado.
Em depoimento no 1º DP, Palma Júnior alegou que passa por problemas financeiros, mas vai devolver o dinheiro a todos os prejudicados.
A promessa também foi feita aos alunos de Itapuí, que gastaram cada um cerca de R$ 550,00. O grupo, que iria para Camboriú, era formado também por 24 pessoas de Jaú, que foram transferidas de uma outra viagem que também não havia sido realizada.
De acordo com uma mãe de aluno que pediu para não ser identificada, o proprietário da Tour Company marcou uma reunião para a próxima segunda-feira para tentar por fim ao embrólio em que se transformou a viagem de formatura à praia.
“Está sendo triste”, desabafou a mãe. “Foi um sonho que se transformou em pesadelo”, classificou ela, que iria com o filho pela primeira vez a uma praia do Sul do País. A reportagem não conseguiu localizar Palma Júnior. Ninguém atendeu as ligações na residência. Na agência, os telefones estão desligados.