09 de julho de 2026
Bairros

Armadilha ajuda a combater caramujo

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto Bauru vive uma infestação de caramujos, animais que podem transmitir doenças graves, Registro, no Vale do Ribeira, conseguiu controlar a praga do molusco com uma isca-armadilha inventada por um dedetizador que mora na cidade. Ontem, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) anunciou a realização de três dias de campanha de combate ao caramujo em Bauru: dia 28 deste mês, 25 de fevereiro e 18 de março.

Entre abril e agosto do ano passado, quando 1.000 armadilhas foram instaladas em Registro, foram recolhidos cerca de 5 mil quilos de caramujos, conta Paulo Henrique de Alencar, médico veterinário, coordenador do Departamento de Vigilância Sanitária da cidade. “A isca não mata. Ela atrai os moluscos para dentro da armadilha que aqui, era um tubo de PVC. Depois, é só recolher e exterminar. O tubo fica cheio”, conta.

O dedetizador José de Pontes, conhecido em Registro e região por Zeca Preto, inventor da isca-armadilha, não revela o que atrai os moluscos, mas garante a eficácia da engenhoca. “A isca que vai na armadilha é feita com 14 produtos naturais, inclusive extrato de pó de caramujo, e 14 produtos artificiais”, diz.

Autodidata, ele conta que por oito anos pesquisou uma forma de atrair os caramujos que infestavam Registro e outras cidades do Vale do Ribeira. “Como testaram a armadilha e viram o resultado, agora presto serviço a prefeituras, principalmente. Além de Registro, fui contratado pelas prefeituras de Juquiá, Iguape e Pariquera-Açu”, relata ele que, agora, já montou uma equipe para prestação de serviços.

Porém, Zeca Preto ainda não iniciou os trâmites para patentear a invenção. “Isso exige muito estudo, que são caros. Se tiver alguma faculdade que queira analisar meu invento, estou à disposição”, diz. Ele garante que a armadilha permanece fazendo efeito, ou seja, atraindo caramujos, por oito meses. No varejo, a unidade custa R$ 20,00. No atacado, incluindo o serviço de recolha dos moluscos aprisionados, cada armadilha sai por R$ 15,00.

Na semana passada, foram recolhidos 1.600 caramujos (cerca de 60 quilos) em um antigo sucatão na quadra 9 da rua Floriano Peixoto, área central de Bauru. No primeiro mutirão de combate ao molusco realizado na cidade, em novembro do ano passado, foram recolhidos cerca de 160 quilos de caramujos.

O secretário do Meio Ambiente, Carlos Barbiei, disse à reportagem que desconhecia a isca-armadilha usada em Registro. Na semana passada, a média de reclamações sobre a presença de caramujos feitas à Semma era de cinco por dia.

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Próximo mutirão em Bauru será dia 28

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) vai fazer mais três mutirões em Bauru para combater o caramujo africano. As datas definidas ontem para o Dia C, o Dia de Combate ao Caramujo, são o próximo 28, 25 de fevereiro e 18 de março.

A infestação do molusco aumentou nos últimos dois anos por causa do abandono das criações clandestinas e irregulares na região. O caramujo pode causar doenças como meningite e úlcera gástrica, que podem ser fatais.

A proliferação do molusco é rápida e o período das chuvas favorece a procriação. Cada caramujo pode botar, em média, 1.500 ovos por ano. Em Bauru, a região com maior índice de infestação é a Oeste.

Por isso, a comissão técnica de controle do caramujo africano definiu como área de trabalho para o 2º Dia C o trecho compreendido entre a avenida Castelo Branco, rodovia Marechal Rondon, rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília) e Ribeirão Bauru.

As ações do dia 28 envolvem visitas casa a casa e limpeza de terrenos e praças. Além da Semma e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o combate ao caramujo envolverá as secretarias da Saúde, Administrações Regionais, Educação, Cultura, Agricultura e Emdurb.

• Serviço

Mais informações sobre o Dia C na Semma, pelo telefone (14) 3235-1080.

Da Redação