Faltando três semanas para o Carnaval, o comércio de enfeites e fantasias ainda não deslanchou na cidade. Tendo que pagar as contas de janeiro e contando apenas com os bailes em clubes, já que os desfiles no Sambódromo estão descartados, os foliões estão deixando a compra de artigos típicos em segundo plano.
Esse é caso da professora Alvenir Motta, que não planeja adquirir produtos para o Carnaval. “Primeiro porque não brinco, e segundo porque começo de mês é difícil. O que tinha para se gastar já foi em dezembro, agora é mais conta para pagar”, diz. A esteticista Ana Domingues concorda. “Está caro e não vou curtir a folia”, conta.
O presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto de Bernardis, explica que a compra de artigos carnavalescos está ligada com a comemoração nos bailes de rua e clubes. “Se perdeu o brilho dos antigos carnavais, onde as pessoas se organizavam com a mesma fantasia, e Carnaval de salão vem caindo em todas as cidades, não é só Bauru. Isso sem dúvida reflete para quem vende artigos específicos”, diz.
Além disso, Bernardis aponta que como o Carnaval deste ano chegou mais cedo, em 8 de fevereiro, as pessoas ainda não tiveram tempo de se organizar para as compras. “O pessoal ainda não entrou no clima. Acabando a época de Natal e Réveillon, as pessoas não tomaram fôlego para o Carnaval. Isso também se mistura com a compra de materiais escolares, Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e gastos tradicionais de janeiro”, diz.
“Talvez as compras de Carnaval fiquem para a última hora, como é tradição”, completa Bernardis. A expectativa das empresas especializadas em artigos carnavalescos também é a mesma. “A procura está pequena. Esperamos que ela aumente próximo à semana do Carnaval”, diz Dulce de Oliveira, funcionária de uma loja do ramo localizada no Calçadão da Batista de Carvalho.
Até anteontem, o movimento foi baixo em outra loja que vende artigos carnavalescos no Centro da cidade. “Vamos receber mais produtos semana que vem, mas a procura está pequena”, confirma a proprietária Soraya Soubhia.
Adereços
Apesar da menor procura, as lojas especializadas esperam lucrar com a venda de produtos carnavalescos mais baratos, como os acessórios. Entre eles, máscaras, perucas, serpentinas, plumas e lantejoulas.
Patrícia Dornelas dos Santos, funcionária de uma loja de produtos de Carnaval, conta que as perucas de metalóide (material brilhante) estão entre as apostas. “É mais prático. É só colocá-la e o pessoal entra no ritmo”, diz. O adereço varia entre R$ 7,00 e R$ 10,00. Já as máscaras de plástico podem ser compradas por R$ 5,00.
Soubhia conta que os enfeites poderão ser mais procurados do que as fantasias. “De uns anos para cá as pessoas não fazem mais fantasias, elas aproveitam uma camiseta ou uma bermuda e colocam algum detalhe, principalmente em Bauru, onde o Carnaval é mais comemorado em clubes”, diz Soubhia.
A estudante Michele Oliveira planeja usar adereços de Carnaval para comemorar a data. “É mais prático”, define. Sua amiga, a estudante Thalita Winnie, concorda. “As fantasias estão caras, vou procurar algum short ou enfeite brilhante”, diz.