O nome de uma rua não apenas determina a localização de um lugar específico na cidade, mas revela muito da história de uma comunidade. Como num quebra- cabeça, as ruas guardam traços de fatos ligados ao cotidiano do lugar. De acordo com dados do Geoprocessamento da prefeitura, Bauru possui 3.655 ruas, sendo que 3.375 têm nome e 280 aguardam uma denominação. A avenida Rodrigues Alves é a maior via da cidade, com 68 quadras.
A primeira rua que ganhou denominação em Bauru foi a Araújo Leite. Exatamente no dia 8 de janeiro de 1896, na primeira sessão da Câmara Municipal de Bauru, um importante personagem era homenageado.
O jornalista e historiador Luciano Dias Pires explica que João Baptista de Araújo Leite foi um dos mais influente políticos de sua época e era juiz de Paz. Sua influência era tamanha que presidia as eleições e decidia casos judiciais mais simples.
Pires explica que a Araújo Leite, denominada há 109 anos, era caminho obrigatório para quem passava por Bauru. Nesta época, o que existia era um povoado em franco crescimento e definido definido pelas pessoas como “caminho do sertão”.
O primeiro núcleo de ruas do município pode ser definido por um triângulo. Um dos lados era demarcado por onde é, atualmente, a rua 15 de Novembro (região sul). Outro, onde hoje está a avenida Nações Unidas, era o Córrego das Flores (região Leste). Fechando o triângulo seria o lugar onde se construiu a avenida Nuno de Assis (região Oeste).
A pesquisadora Márcia Regina Nava Sobreira explica que essa área pertenceu à Igreja Católica, que doou o terreno para a cidade.
Em Bauru, dois fatos chamam a atenção de quem quer saber a localização de uma rua. Um é o sistema de numeração, uma característica marcante do município. O outro é a ausência de placas que sinalizem as vias, principalmente na periferia da cidade.
Nava esclarece que, em1925, a prefeitura realizou um estudo para facilitar a numeração e localização das residências. Determinou-se que se iria numerar os quarteirões das ruas em ordem crescente, dando à porta principal de cada prédio o número correspondente à distância em metros, contando da esquina até a entrada. Para simplificar, adotou-se números redondos e estipulou-se que a numeração par estampava imóveis do lado direito da rua e ímpar, do lado esquerdo.
Quem circula pela região central da cidade imagina que se localizar não é difícil. Têm ruas que parecem não acabar. Isto pode confundir, como no caso da rua Aviador Gomes Ribeiro. Com início no Centro, esta via corta a avenida Nações Unidas e a rodovia Marechal Rondon. Em outros municípios, ela terminaria em um desses pontos.
No bairro Santa Edwirges, o formato de algumas ruas contrasta com o do restante. Três alamedas com nome de pedras preciosas têm o traçado em forma de meia lua, uma paralela a outra. Numa formação que destoa radicalmente do desenho das vias do próprio bairro e da cidade como um todo.
Na Vila Souto, a rua Mário Gonzaga Junqueira tem um traçado reto em direção à Vila Nova Celina, mas faz uma curva acentuada à direita e segue na direção do Parque Viaduto e Vila São João.
A edição do Bairros desta semana conta um pouco da história de Bauru através dos personagens que cedem seus nomes às ruas, alguns ilustres e outros desconhecidos.