Até há bem pouco tempo, ninguém ouvia falar nesta doença. Caracterizada pela presença de tecido intra-uterino do lado de fora do útero e em outros órgãos, a endometriose atinge cerca de 15% das mulheres entre 20 e 40 anos. A medicina ainda não conseguiu descobrir o que causa o distúrbio, mas as evidências indicam que ele está diretamente ligado ao estilo de vida. E as mulheres de negócio são suas principais vítimas.
O endométrio é um tecido que cresce regularmente dentro do útero nos dias que antecedem a ovulação. Ele reveste o útero formando uma camada macia e confortável que tem como função reter e abrigar o óvulo quando ocorre a fecundação (gravidez). Não havendo a fecundação, essa camada se solta e é eliminada em forma de menstruação.
A endometriose é um distúrbio em que esse tecido aparece do lado de fora do útero, espalhando-se por outros órgãos do abdômen - ovários, trompas, intestino, bexiga. Isso desencadeia uma série de transtornos para a mulher.
De acordo com a ginecologista Carla Lambertini, várias hipóteses tentam explicar como o endométrio aparece fora do útero. Uma delas seria uma alteração genética hereditária, pois é comum haver vários casos numa mesma família.
“Outra teoria é que o sangramento menstrual, ao invés de ser expelido, retorne pelas trompas e caia no abdômen, espalhando células do endométrio em outras regiões fora do útero. Uma terceira possibilidade é que essas células se disseminem através da corrente sangüínea”, comenta.
O que se sabe, de fato, segundo o médico ginecologista Abdel Hafid Farid, é que não se falava em endometriose algumas décadas atrás. “Antigamente, quando as mulheres tinham vários filhos, não havia endometriose. A doença surgiu quando as mulheres se emanciparam, entraram no mercado de trabalho e começaram a programar a gravidez para mais tarde. Então, acredita-se que fatores emocionais e hábitos de vida estejam associados ao seu aparecimento”, comenta.
Além de causar hemorragias e dores descritas como insuportáveis, a endometriose está entre as principais causas da infertilidade feminina. A doença não tem cura na imensa maioria dos casos tende a evoluir se a paciente não mudar seu estilo de vida.
Segundo os médicos, diagnóstico é feito a partir de anamnese (conversa com médico, relato de sintomas histórico familiar), exame clínico ginecológico convencional e ultra-sonografia.