Começa um novo ano e os pais ficam doidinhos com as listas de material escolar. Cadernos, lápis de cor, pastas, canetas coloridas, livros, cola, tesoura, enfim, uma série de itens que pode custar um dinheirão! A garotada fica empolgada com um material “novinho em folha”, pois quer começar novo ano com tudo zerado, mas a realidade pode ser bastante diferente, com um pouquinho de bom senso.
Se o estojo está legal, a mochila está em ordem, qual o motivo para fazer o papai e a mamãe gastarem com outros novos? Reutilizar material escolar do ano anterior é exercitar a cidadania, pois tudo o que é fabricado utiliza matéria-prima tirada da natureza. É claro que hoje as empresas usam madeira de reflorestamento para fabricar lápis, papel, mas será que realmente há a necessidade de trocar tudo?
A Isabella Maria Domingos Mastrangelli tem 11 anos e aprendeu a lição com facilidade. Ela já sabe que o material deve ser aproveitado ao máximo. “Eu aproveito tudo. Este ano, precisei de um fichário novo e ao invés de comprar as divisórias decoradas, eu mesma escolhi adesivos e figuras e fiz a colagem”, comenta. O estojo também é o mesmo, mas alguns lápis de cor e preto, que sobraram do ano passado, ela separou para seu estojo de atividades extra-classe. “Eu faço inglês e perseverança na igreja e sempre preciso de material. Separei um estojo só para isso”, ensina Isabella.
Ela conta que no ano passado, reuniu vários materiais que não iria mais usar e passou para outras crianças. “Minha mãe me estimula a fazer isso. A gente separa para dar algumas coisas para quem precisa.” Mas a escolha dos novos fica por conta de Isabella, que acompanha a mãe na compra do material. “Minha mãe não compra tudo o que eu quero. Eu escolho, ela avalia a qualidade do material, o preço e já avisa: tem que durar por dois anos!”
Com essa filosofia, a mãe de Isabella, a bióloga Teresa Cristina Aragão Domingos Mastrangelli, educa os filhos. “Minha área é educação ambiental, então, em casa se aproveita tudo. A gente vai guardando alguns materiais que depois se transformam em brinquedos, presentes, enfeites”, diz. Uma dica de Teresa vale para todos: “Você pode personalizar o seu material”. A Isabella desde que entrou na escola - hoje ela faz a 5.ª série - senta com a mãe e decora os cadernos, faz capas diferentes e agora começa a ensinar o irmão Rafael, 5 anos.
“O ano passado, fiz os cadernos dele, este ano o Rafael vai de Homem-Aranha”, diz Isabella.
Como a maioria dos meninos, Rafael também curte tema dos heróis. O Homem-Aranha é o seu preferido e virou o tema da mochila e lancheira. A pasta plástica também ganhou um adesivo do herói. “Eu que escolhi”, comenta o garoto com sua roupa especial.
Cuidar para não estragar
Cuidar do material escolar é fundamental, assim você mantém tudo com carinha de novo e fica mais organizado. Mas a escolha pela qualidade dos produtos é uma orientação para que seja possível usá-los por mais tempo. “Há casos em que a economia não dá certo. Um bom produto vai durar muito mais”, comenta Teresa Cristina, que atua em educação ambiental e dita o lema: “Mochila, lancheira e fichário têm que durar dois anos!”
O Leonardo Mendes D’Oliveira tem 6 anos e começa agora a 1.ª série. Ele já sabe ler, escrever e adora ir à escola. Este ano vai ganhar material escolar novo, já que o do ano passado foi bastante utilizado. “O que sobrou o Léo usa para desenhar em casa”, conta a mãe Ana Paula Mansano Mendes, 23 anos. “Nos cadernos usados, eu faço desenho, recorte”, conta Léo, que leva o material para a casa da vovó Márcia e passa um tempão desenhando.
Ana Paula achou a lista escolar coerente, mas vai fazer cotação de preço para evitar muitos gastos. “O estojo eu vou usar o mesmo, do Hulk”, diz Leonardo.
Léo também é bastante cuidadoso com seu material escolar. Sempre guarda tudo na mochila e os lápis de cor vão, com cuidado, para a caixinha. Assim, ele mantém seu material pronto para ir para a escola e, o que é melhor, com cara de “novinho em folha”.
Presentes reciclados
Aproveitando o gancho da reutilização do material escolar, Isabella conta que gosta de fazer presentinhos para os amigos. Com uma caixa de leite, ela faz uma embalagem decorada; com uma garrafa pet, um porta-trecos; e a latinha de massa de tomate virou um porta-lápis, todo decorado com rolinhos feitos de jornal e com muita cor. “Eu levo o presente ‘comprado’ e o tradicional ‘feito por mim’.”
Com a idéia da reciclagem na cabeça, Isabella guarda adesivos, colantes, embalagens coloridas, revistas, propagandas, colantes e tudo o que encontrar para transformar em um presentinho, um enfeite ou mesmo para decorar o tão esperado material escolar.
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Dicas para a turminha
• Antes de começar a comprar o material deste ano, faça uma faxina no material do passado, veja o que poderá ser usado, o que poderá ser doado e quais são os produtos que você realmente vai precisar. Além de economizar, você vai ajudar outros que precisam. Nada de acumular caixas e caixas de material;
• Procure conter a empolgação de comprar tudo o que vê pela frente; nessas horas é fácil ficar encantado com a infinidade de produtos com cores, brilhos, cheiros e capas coloridas, você pode ser diferente, se procurar ser criativo;
• Coloque a sua “cara” no material escolar; abuse de fotos, bottons, chaveiros, recortes, frases criativas, desenhe. Você pode ter a mochila mais transada da classe sem gastar muito, é só ser personalizado;
• Busque exercitar sua cidadania, leia as embalagens dos produtos que vai comprar para conferir se os fabricantes são responsáveis com a natureza;
• Saiba dar a melhor utilidade ao material que não irá usar mais, não jogue no lixo o que não é lixo; reaproveitar e reciclar é muito importante;