Dentro de poucos dias, Bauru e cidades vizinhas terão uma rede de detectores de raios (descargas elétricas) cuja tecnologia é alemã. Os equipamentos estão sendo implantados pelos alemães Hartmut Hoeller e Phorsteen Fern, do Instituto de Física da Atmosfera do Centro Espacial Alemão, que chegaram ontem a Bauru.
De acordo com Roberto Vicente Calheiros, do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a rede de detectores incluirá, além de Bauru, as cidades de Marília, Ourinhos, Botucatu, Araraquara e Novo Horizonte. A novidade permitirá aos pesquisadores obter com precisão o horário e a localização dos raios, dentro do perímetro abrangido pelos equipamentos.
Um dos principais interesses na pesquisa é que ela ajuda a quantificar o óxido de nitrogênio produzido pelas descargas elétricas. “A cobertura geográfica importa. O óxido de nitrogênio é um poluente e muda a distribuição do ozônio na estratosfera. A concentração de ozônio aumenta nas camadas próximas à superfície e em outras camadas. Isso é nocivo”, explica Calheiros.
Ele afirma que a instalação dos equipamentos nas cidades é bastante simples e rápida. Em cada estação serão colocadas duas antenas, um cabo de 30 metros e um computador com um software adequado. A previsão é de que a rede esteja funcionando em dois ou três dias.
A tecnologia foi desenvolvida na Universidade de Munique, em parceria com o Centro Espacial Alemão. “O sistema aprimora o posicionamento da descarga. Há distribuição de descargas ocorrendo em um raio grande em torno de Bauru, continuamente. Você vai registrando e vê, por exemplo, como avançam as nuvens pesadas com as descargas. Isso serve também para determinar os avanços das tempestades”, diz Calheiros.
A dupla de alemães que está passando por Bauru irá participar do segmento nacional de um projeto da comunidade européia denominado Troccinox, do qual participam sete países e 14 entidades. No Brasil, a pesquisa foi denominada Troccibras.
Um dos objetivos principais do projeto é determinar a quantidade de óxido de nitrogênio gerada pelas descargas elétricas, em diversas altitudes. Para isso, serão utilizados três aviões-laboratório, que voarão em direção às nuvens pesadas que distribuem raios.
A pesquisa, ampla, permite também a quantificação de monóxido de carbono e dióxido de carbono. Além disso, ela traça, a partir de um radar a laser, o perfil vertical do vapor de água. Segundo Calheiros, que é coordenador nacional científico do projeto, esse é um dado de extrema importância para a previsão do tempo, já que ajuda a determinar mudanças climáticas. “É um parâmetro importante porque melhora dramaticamente a previsão do tempo”, frisa.
O segmento brasileiro do projeto será sediado em Araçatuba. A cidade foi escolhida porque dispunha de um aeroporto com dois quilômetros de pista. Os experimentos começam no próximo dia 25.