07 de junho de 2026
Esportes

Pólo aquático: Ex-jogadora do BTC disputa Mundial Júnior na Austrália

David Cintra
| Tempo de leitura: 4 min

A bauruense Maria Bárbara Kernbeis Amaro embarca hoje para a Austrália, onde defenderá a Seleção Brasileira Feminina de Pólo Aquático, no 6º Mundial da categoria júnior na cidade de Perth. A competição começa no dia 24 próximo e o Brasil estréia contra a seleção anfitriã, depois enfrenta Espanha e Itália, nos dias 25 e 26.

Bárbara é jogadora do Paulistano, da Capital, mas iniciou sua carreira no time do Bauru Tênis Clube (BTC), atualmente desativado. Esta não é a primeira vez que ela é convocada para a seleção. No ano passado, Bárbara defendeu o Brasil no Pan-Americano da categoria, em El Salvador, no qual a equipe foi medalha de bronze.

Em 2003, integrou o time nacional no Mundial Júnior de Calgary, Canadá, em que o Brasil ficou em oitavo lugar. Neste torneio, a seleção tinha outra bauruense, Luiza Carvalho. Em 2002, Bárbara tanbém participou da equipe medalha de bronze no Pan de Boca Raton, nos EUA.

Bárbara atua como marcadora de centro na defesa e armadora no ataque. Pelo Paulistano, ela conquistou em dezembro passado o título nacional adulto. Na categoria Juvenil foi campeã brasileira pelo time da Capital e pelo BTC.

O pólo aquático foi uma paixão a primeira vista para Bárbara. “Em 1999 eu fazia natação e teve o Pan de Winnipeg (Canadá), então eu vi uma reportagem sobre o pólo e gostei. Ao mesmo tempo, minha mãe me pressionava: ou eu fazia algum esporte ou fazia esporte. Então escolhi o pólo, por ser um esporte coletivo, como eu queria, e na água. Então comecei a jogar no BTC e nunca mais parei”, conta a atleta.

Sobre o fim da equipe feminina de Bauru, Bárbara mostra-se bastante ressentida. “Foi horrível, porque a gente tinha um time muito bom. Em 2000, acabamos de ser campeão brasileiras e no ano seguinte nem participamos do campeonato que tínhamos sido campeãs!”

Os motivos, segundo Bárbara, são conhecidos: falta de dinheiro e apoio. “A gente teve que começar a pagar viagem e a maioria das atletas não tinha condições. Além disso, as meninas não conseguiram conciliar estudo e esporte, foram parando e o clube não incentivava, não tinha uma escolinha, assim, não teve renovação e acabou. Foi uma pena, porque era um time muito bom e podia estar aí até hoje, conquistando títulos para Bauru”, revela.

Da equipe do BTC que se desmanchou, Bárbara, Luiza Carvalho e Sarah Fernandes foram para o Paulistano e participaram regularmente de seleções estaduais e brasileiras nos últimos dois anos.

Sobre as chances do Brasil no Mundial da Austrália ela não está muito otimista, acha que o time vai para ganhar experiência. “Pegamos uma chave muito complicada. A Itália acabou de ser campeã olímpica, a Espanha foi terceira no último Mundial Júnior e a Austrália é dona da casa”,

No entanto, Bárbara não joga a toalha e acha que o time pode repetir uma façanha realizada no Canadá, em 2003. “No último Mundial ficamos em uma boa colocação para o Brasil (oitavo lugar) e foi muito legal porque ganhamos da Grécia, que tinha sido campeã européia. Foi um dos melhores jogos da minha vida, nunca vou esquecer. Então, a gente tem isso na memória. Se conseguimos ganhar uma vez, por que não de novo? Todo mundo sabe que vai ser difícil, vai ter que lutar muito, mas temos esperança”, declara.

A falta de entrosamento é um dos problemas do time brasileiro. “A preparação não foi ideal porque tem meninas do Rio, de Brasília e de São Paulo. O grupo inteiro se encontrou pouquíssimas vezes, uma em dezembro e agora na última semana, quando treinamos com um time de uma universidade norte-americana, que tem jogadoras campeãs mundiais”, revela.

A falta de profissionalismo é apontada por Bárbara como o maior empecilho para o desenvolvimento do pólo aquático no Brasil. “No masculino ainda tem um pouco de incentivo, mas nada que permita viver do pólo. No feminino é ainda pior. Treinamos do jeito que dá, a gente pratica porque ama jogar. Todo mundo sabe que não tem como viver disso. O máximo que dá para conseguir é sair do País, mas nunca vai ser uma coisa para o resto da vida”, afirma.

Apesar disso, Bárbara não pensa em desistir. “Tenho consciência que o pólo não vai ser o que vai memsustentar. Vou tentar conciliar o máximo que puder, porque eu amo jogar. Não consigo imaginar minha vida sem pólo”, afirma a atleta que treina cerca de seis horas por dia (nas férias escolares) e cursa o segundo ano de Publicidade, no Mackenzie.