Ontem, os pais de Josiel Dias Cardoso, que desapareceu em Brasília Paulista em 2003, na época com 2 anos de idade, tiveram seu sangue e saliva coletados pelo banco de DNA da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O material será utilizado posteriormente para a realização de exame de DNA, se a polícia encontrar alguém com as mesmas características do menino.
Realizado pela primeira vez em Bauru, o procedimento vai otimizar as investigações de crianças perdidas no município. Agora, os registros de desaparecimento infantil poderão ser acompanhados de coleta de material dos pais, que serão utilizados para exames de DNA. “O delegado seccional Antônio Ângelo Ciocca vai agilizar para que todos os delegados, quando elaborarem o boletim de desaparecimento de crianças, apresentem os pais para a coleta de material”, diz o titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubo e Assalto (DIG/Garra), J.J. Cardia. “Amanhã ou depois, se a criança for encontrada, já haverá material dos pais para fazer o DNA”, completa.
Desde setembro do ano passado, o Departamento de Medicina Legal da USP criou o projeto “Caminho de Volta”, que armazena material de pais de crianças desaparecidas em um banco de DNA para ajudar a localizá-las. Uma unidade de coleta deverá ser instalada em Bauru em julho deste ano, segundo a geneticista Gilka Fígaro Gattás, que é idealizadora do projeto e chefe do departamento de Medicina Legal da USP.
A coleta de material dos pais de Josiel, o pintor Reinaldo Antonio Cardoso e dona de casa Leandra Maria Dias Cardoso, foi feita na DIG/Garra pelo biólogo e geniticista Esiquiel de Miranda. Ele é o representante local do banco de DNA da Faculdade de Medicina da USP.
O sangue e saliva dos pais de Josiel ficarão armazenados no banco, que já possui 71 amostras de material genético de pais que tiveram seus filhos desaparecidos. Apenas um dos materiais é de Bauru, o restante são de famílias paulistanas. “Vamos supor que em um parque exista uma criança que desconfia-se que seja desaparecida. A polícia é acionada e confecciona um boletim de ocorrências. Ela aciona o banco de DNA e o material da criança é coletado”, explica Miranda.
A expectativa diante da possibilidade de encontrar o Josiel está deixando Reinaldo e Leandra muito ansiosos. “Há várias crianças desaparecidas. A gente espera que uma delas seja a nossa”, diz Reinaldo. “É mais uma esperança com esse exame. Cada dia que passa temos esperança que haverá uma novidade em relação ao aparecimento dele. Creio que esse dia vai chegar”, reforça a mãe.
Investigações
A coleta de material para posterior exame de DNA é uma forma de intensificar as investigações policiais, aponta o delegado titular da DIG/Garra, J.J. Cardia. “Esse programa do banco de DNA é um item importante porque caso seja localizada uma criança, ela pode estar fisicamente modificada. O Josiel deve estar com 4 anos e esse banco de dados pode tirar qualquer dúvida no caso de nós encontrarmos uma criança com as mesmas semelhanças”, destaca.
Segundo Cardia, desde 2003, a DIG/Garra já realizou todas as investigações no campo operacional. “Mas nós não damos por encerradas, estamos fazendo uma investigação em âmbito estadual”, diz, sem revelar detalhes.
Josiel Dias Cardoso desapareceu no dia 23 de fevereiro de 2003, em Brasília Paulista, município de Piratininga. O menino morava com os pais em Bauru, mas no dia em que foi visto pela última vez, estava visitando o avô.
A polícia fez buscas em diferentes locais da cidade, inclusive nas fossas, com a ajuda do Corpo de Bombeiros e equipes do Departamento de Água e Esgoto (DAE).