10 de julho de 2026
Política

PDT vai tentar ocupar espaço do PT na eleições do ano que vem

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente Estadual do PDT, Paulinho Pereira da Silva, disse ontem em Bauru para o prefeito Tuga Angerami (PDT) que a legenda está se organizando para ser alternativa ao PT e PSDB em 2006 ao governo do Estado. O líder da Força Sindical pediu que Tuga participe da reorganização regional pedetista e adiantou que o objetivo é ocupar espaço no segmento de centro-esquerda no País.

“Nós estamos trabalhando desde já para viabilizar candidatura própria a deputado estadual e federal e, sobretudo, para disputar o governo do Estado com chapa própria. O PT está buscando candidato e (Geraldo) Alckmin não pode mais disputar o Estado pelo PSDB. Como as duas legendas estão cada vez mais parecidas, o PDT é o partido capaz de ocupar o espaço de centro-esquerda aqui e no País”, avalia.

Ontem, Paulo Pereira percorreu cidades do Interior para informar os colegas desse projeto. “Queremos estabelecer coordenadorias regionais e viemos a Bauru pedir ao prefeito Tuga que esteja conosco neste projeto, ingressando no diretório estadual, inclusive. Vamos nos organizar e preparar candidatura própria para o governo”, conta.

Para viabilizar a disputa ao governo do Estado, o líder pedetista indica que o candidato próprio sairá do meio empresarial. Entretanto, ele esconde quem seriam os convidados. “Estamos trabalhando a idéia de ter um grande empresário, um nome responsável, com patrimônio no País, para ser nosso candidato. Mas vamos montar chapa própria para governador e deputado. São pessoas que não estão na política, mas que deram certo no setor privado”, avisa.

O sindicalista disse que Bauru tem a obrigação de eleger mais de um deputado estadual e de voltar a ocupar uma cadeira no Congresso Nacional. “Sem deputado federal, os projetos para os municípios não andam em Brasília. O Tuga sabe disso e uma cidade desse porte não pode continuar sem deputado”, comenta.

Fôlego fiscal

Durante encontro de pouco mais de uma hora com Tuga, no Palácio das Cerejeiras, Paulinho ouviu aqui o que vem se repetindo na maioria das prefeituras que tem visitado: a crise financeira. Ele comentou que o partido defende a manutenção da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), mas considera que os novos prefeitos precisam de um fôlego para sair da crise neste início de mandato.

“A lei fiscal é importante para o País e precisa ser aplicada. Não se pode permitir agora que ela seja jogada fora. Quem não cumpriu, precisa ser punido. De outro lado, existem municípios completamente quebrados e os prefeitos novos não têm culpa nenhuma. É preciso que o Congresso ache uma transição agora neste início para que os problemas sejam resolvidos, mas com a manutenção da lei”, defende Paulinho.

Ele criticou o acordo do governo federal que abriu espaço para que a ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT) deixasse de honrar compromissos no final do ano passado. “São Paulo é o maior exemplo desse aperto. O governo (José) Serra vai passar 2005 sem conseguir resolver um buraco de R$ 2 bilhões. E em Bauru não é diferente. A questão é que o PT não poderia ter beneficiado a Marta”, acrescenta.

Para Paulinho, se o governo mantiver a situação de São Paulo sem regularizar no Congresso a flexibilização da lei fiscal neste início de mandato, vai destruir a norma. “O governo Lula precisa achar uma flexibilização por tempo limitado para todas as prefeituras quebradas, mas os prefeitos que saíram precisam ser responsabilizados. Mas tem que regularizar essa transição agora, senão a lei será jogada no lixo e isso não pode acontecer”, opina.