09 de julho de 2026
Cultura

Letras (im)populares

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

O desafio da Academia Bauruense de Letras (ABLetras) para 2005 é alcançar a meta que, em 12 anos de existência, ainda não atingiu: tornar-se popular - inicialmente, no sentido de estender sua atuação para um patamar mais próximo da população. A afirmação é do atual presidente da entidade, o poeta e escritor Munir Zalaf. Ele afirma que o auxílio, orientação e até mesmo publicação de novos autores também estão nos planos da academia, porém ainda sem qualquer projeto definido.

Segundo Zalaf, o período atual, no primeiro mês do ano, é de projeções. “Em dezembro, encerramos o concurso de poesias. Tivemos 196 participantes, dos quais 107 eram bauruenses. Isso nos entusiasmou. A cidade tem pessoas apaixonadas pelas letras e que têm, inclusive, obras de poesia, prosa e contos engavetados”, diz. Ele afirma que a academia tem o papel de fomentadora e incentivadora das letras, e que os projetos que devem ser desenvolvidos neste ano são voltados para esse objetivo.

Entre as principais metas de 2005 está a concretização de uma parceria com uma editora bauruense (cujo nome ele não revelou), justamente para facilitar a publicação de obras dos membros da entidade e de novos escritores.

“Estamos buscando essa parceria para ver se eles abrem espaços de impressão, com redução de custos e de número de exemplares. Editoras tem mínimo de mil livros, e queríamos fazer 200, 300, 500, com custo baixo. Conversei com uma editora e vou apresentar o projeto deles na nossa próxima reunião”, garante Zalaf.

Nos últimos anos, a academia publicou duas antologias de contos, poesias, crônicas e outros escritos de seus membros, pela Editora da Universidade do Sagrado Coração (Edusc). A atual presidência pretende garantir o lançamento semestral das antologias, também para melhorar a divulgação dos trabalhos da entidade.

Nos planos também está a realização de novos concursos, desta vez voltados para a poesia falada e para escritores de contos. “Estamos projetando essas idéias, inclusive incluindo as escolas de ensino fundamental, para despertar na juventude esse entusiasmo pelas letras. Temos feito palestras em escolas e a meninada nos recebe de maneira gratificante”, relata o presidente da ABLetras.

Criada em julho de 1993, atualmente a ABLetras conta com 27 membros efetivos, três membros honorários, 14 correspondentes (escritores nascidos ou que passaram por Bauru e que atualmente residem em outras cidades), e sete agregados, no total de 51 escritores, poetas, contistas e jornalistas. “A atividade na academia é constante. Não é um grupo fechado, que vive de fora para dentro. Estamos fazendo um trabalho realmente para popularizar a academia, para que ela tenha as portas abertas para todas as pessoas envolvidas com as letras e atividades literárias”, ressalta Zalaf.

Portas abertas, sem casa

Na opinião do escritor bauruense Luiz Vítor Martinello, que não é membro da ABLetras, um dos principais problemas da entidade - e que até prejudica seu envolvimento com a população - é a falta de uma sede. “Ajudei a fundar a academia, sou amigo das pessoas que estão lá. O problema que vejo é não haver uma sede e nem verba destinada especialmente à academia. Isso poderia ser agilizado de alguma maneira, porque é uma instituição conhecida e reconhecida, com escritores maravilhosos. Assim, eles teriam mais incentivo e acesso à cidade”, comenta.

O presidente da academia concorda que a falta de uma sede é um dos principais desafios a serem enfrentados no momento. “Pretendemos pedir uma audiência com o Tuga (Angerami) para ver se há possibilidade da prefeitura abrir um espaço para a academia. Deve haver prédios ou salas disponíveis, e poderia se abrir um local para nossa sede”, requisita. As reuniões da associação são realizadas na Biblioteca Municipal, todas as segundas quartas-feiras do mês, a partir das 20h. O encontro não é aberto ao público.

O Secretário Municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, confirma que já conversou com o presidente da ABLetras e se colocou à disposição para a realização de projetos em conjunto com a entidade. “A nossa idéia é fortalecer a área das letras e a literatura no Município. Uma proposta é também dar mais ênfase à semana Rodrigues de Abreu, com concursos e palestras, como ela era antigamente”, finaliza.

• Serviço

Academia Bauruense de Letras. Contato com Munir Zalaf, presidente da entidade, através do telefone (14) 3234-8297.