09 de julho de 2026
Geral

Filosofia ganha mais espaço e quer 'descer da montanha', diz professor

Da Redação
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A valorização do ensino da filosofia foi comemorada pela comunidade acadêmica, em especial pelos educadores da disciplina, que ganhou espaço na mudança da matriz curricular do ensino médio proposta pela Secretaria de Ensino e aprovada pelas diretoras das escolas da rede estadual.

Para o professor e coordenador do curso de filosofia da Universidade do Sagrado Coração (USC), Carlos Alberto Albertuni, a medida coloca novamente a disciplina no seu devido lugar na formação básica dos estudantes. “A área será valorizada a partir do momento em que as pessoas perceberem que o filósofo não é aquele homem que sobe na montanha para ficar meditando, mas sim aquele que ajuda a pensar os problemas, a sociedade e a conduta humana”, diz.

Albertuni defende que o estudo da filosofia vai contribuir para estimular o pensamento crítico dos alunos, que passarão a ser formados com a competência de analisar a realidade e as situações cotidianas de forma lógica e crítica.

Por isso, segundo o professor, principalmente após o golpe militar de 1964, a disciplina ficou praticamente esquecida no ensino básico e muito vigiada nas universidades. “A ausência da filosofia criou uma lacuna na formação básica e os alunos chegam às universidades com dificuldades de pensar”, argumenta, lembrando que as escolas do primeiro mundo sempre adotaram a disciplina.

Albertuni acredita que a orientação no ensino da filosofia não deverá se restringir apenas a seus aspectos históricos nem se limitar aos preceitos de uma determinada corrente. Para ele, os professores devem trabalhar vários temas, como ética, ciência, conhecimento e estética, entre outros, com o apoio da filosofia.

O professor lembra ainda que a mudança representará um novo ânimo para as pessoas que atualmente já se dedicam à filosofia e também àqueles que se interessam pelo estudo, mas o preteriram em detrimento de áreas com perspectivas profissionais mais consistentes. “Muitos gostam da área, mas havia uma limitação de campo de trabalho”, diz, apostando que a medida, por adotada em São Paulo, poderá “contaminar” o resto do País.