10 de julho de 2026
Bairros

Janeiro é o mais chuvoso dos últimos anos

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Nove dias consecutivos de chuvas intensas em Bauru contribuíram para tornar o mês de janeiro deste ano atípico para o serviço de meteorologia do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet). De acordo com os dados do instituto, a chuva acumulada neste mês, até as 15h de ontem, era de 425,7 milímetros, quantidade superior à máxima registrada em janeiro nos últimos sete anos, que foi de 417,3 milímetros, em 2003.

A média de chuva para o mês, de acordo com o IPMet, é de 223 milímetros, índice obtido com base na análise da precipitação acumulada nos últimos sete anos. Só no período das 9h às 15h de ontem, a chuva acumulada na cidade foi de 16,7 milímetros.

Apesar da estação do ano ser o verão, a sensibilidade térmica nos últimos três dias está mais próxima de um clima de outono. A temperatura mínima registrada ontem foi de 16,4 graus, enquanto que a máxima não ultrapassou 24 graus em Bauru.

Para hoje, a previsão do IPMet é de chuva com o céu nublado e a temperatura em ligeira elevação na cidade. Amanhã, há possibilidade de uma pequena melhora com o céu parcialmente nublado e a temperatura apresentado ligeira elevação. Para domingo, há previsão de novas chuvas e os marcadores de temperatura subindo.

Para o meteorologista do IPMet, Adelmo Antonio Correia, uma quantidade maior de dias chuvosos, com alta nebulosidade, provoca acentuada queda da temperatura média.

Dias consecutivos de chuva mudam a rotina da população. Um termômetro é a variação no atendimento de pessoas no Albergue Noturno do Centro Espírita Amor e Caridade.

A diretora administrativa do albergue, Anunciata dos Santos Crepaldi, explica que a média de jantares servidos é de 40 por noite. Porém, uma passada de olhos na planilha de controle com dados dos últimos dias basta para constatar que o frio e a umidade levaram mais pessoas que estão nas ruas de Bauru a buscar abrigo no albergue.

Com isso, a média de atendimento subiu para 60 pessoas, que jantam e passam a noite na instituição. No último dia 20, foram servidas à noite 72 sopas e no último domingo, 61.

As chuvas ininterruptas também alteram o movimento nas lavanderias. Pedro Freitas, proprietário de um estabelecimento do setor, comenta que houve um aumento de 25% nos serviços de lavagem de calças e camisas, peças básicas de uso diário.

Por isso, a empresa já criou uma tabela de preços especial para este tipo de roupa, com diferença para as peças de cama e mesa (kit chamado de pacotão).

Os moradores dos condomínios Camélias, Flamboyants e região estão procurando mais o serviço da lavanderia de Elizabete Rodrigues, instalada no bairro. Ela calcula que houve um aumento de cerca de 15% para a lavagem de calças e camisas.

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Obra afasta riscos

Apesar da chuva não ter dado trégua para os operários da prefeitura, ontem a máquina da Secretaria de Obras conseguiu colocar o leito do córrego Água do Sobrado em seu curso natural. Com as chuvas fortes dos últimos dias, as margens desmoronaram, aumentando a largura do leito do rio na altura das quadras 1 e 2 da rua José Bechir.

Com isso, o córrego chegou a ameaçar “engolir” o asfalto da rua e até casas da via. Moradora na quadra 1, Carolina Rodrigues da Rocha estava mais tranqüila ontem. Com as chuvas, a erosão aproximou-se perigosamente de sua residência. Sua filha Dirce avaliou, no início da noite de ontem, que a situação estava melhor.

Porém, a Secretaria de Obras informou que não conseguiu, ainda, fazer o aterro para recuperar o talude. Um trecho em frente à residência continua com a sinalização de interdição. Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil, confirma que o risco já foi afastado. “A situação já está controlada. Falta agora o aterro, que vai consumir uns 10 mil caminhões de terra”, diz.

Apesar dos buracos nas ruas e das erosões, como a da rua Natal Fornazari, no Ferradura Mirim, também já controlada pela Secretaria de Obras, Brito avalia que a cidade suportou bem o mês mais chuvoso dos últimos sete anos. “Não tivemos mortes nem desabrigados e a prefeitura tem apresentado uma resposta rápida aos problemas da chuva”, diz.

Ricardo Santana / Ieda Rodrigues