08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ainda o Ernesto Monte


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Gostaria de me somar aos ex-alunos do Ernesto Monte que já se manifestaram contrários à extinção (essa é a palavra) da escola, proposta pelo vereador João Parreira. Estudei nesse colégio durante dez anos. Se os últimos anos não foram de ouro, a culpa não é do colégio em si, mas dos problemas generalizados da educação brasileira (uma realidade que hoje conheço pelo prisma de professora e corretora de vestibulares e exames do Enem). Enfim, com todos os seus defeitos e virtudes, essa escola contribuiu com minha formação, assim como com a de muitos outros cidadãos bauruenses. A escola tem um patrono, um hino, uma tradição, uma história. E diga-se: funcionários e alunos. Foi nessa escola que aprendi as primeiras lições sobre a história de Bauru, que me despertaram a curiosidade de conhecer o prefeito de então.

Vinte anos atrás, atravessei a rua até o Palácio das Cerejeiras para conhecer o prefeito e fui muito bem recebida por José Gualberto Martins Angerami (em carta pessoal, recordo a história ao prefeito, com mais detalhes). Espero, sinceramente, que Tuga escute mais uma vez a criança de ontem e as crianças de hoje que estudam nessa escola – afinal, não estamos falando apenas de passado. Para ser racional não é preciso ser frio. Bauru precisa ser governada com a razão, mas também com o coração.

Há decisões cujos estragos são irreversíveis. Um exemplo é a descaracterização da Praça Rui Barbosa, que um dia teve muito verde, um macaquinho e até jacarés. Difícil imaginar uma praça assim no Centro de Bauru atualmente, mas ela não precisava ter perdido todo o encanto que tinha. Transformar o colégio em extensão da prefeitura não é garantia de economia para a cidade. A equipe de governo é inteligente e pode propor outras soluções.

Érika de Moraes - jornalista e doutoranda do IEL/Unicamp