Avaí - Depois de oito anos sem nenhuma representação política, os cerca de 600 índios da terra indígena de Araribá começam a ganhar espaço em Avaí (39 quilômetros a noroeste de Bauru). Além de eleger, pela segunda vez, um representante para a Câmara Municipal, os índios ganharam também um cargo de confiança dentro da prefeitura para tratar especificamente dos interesses das aldeias.
A comunidade indígena de Avaí representa cerca de 10% da população local. Ela é formada pelas etnias Terena, Guarani e Kaigang, que estão divididas em cinco aldeias: Kopenoty, Nimuendajú, Tereguá, Phiau e Ekeruá.
Com a criação da assessoria indígena - nome dado ao cargo de confiança criado pelo prefeito Paulo Sérgio Rodrigues (PSDB) -, os índios esperam ganhar força para conseguir pôr em prática alguns projetos. Entre eles estão o projeto de recuperação da mata ciliar e da nascente do rio Araribá, que corta as aldeias, e o projeto de recuperação das estradas que são acesso às terras indígenas.
De acordo com o índio Edenilson Sebastião, 31 anos, as estradas são precárias e necessitam com urgência da construção de caixas de contenção de água. Segundo ele, sempre que chove bastante as estradas ficam alagadas, dificultando a passagem de veículos.
Ainda não está definido quem ocupará o cargo de assessor indígena. O assunto será discutido na próxima segunda-feira, em uma reunião entre o prefeito Rodrigues e os cinco caciques das aldeias de Avaí.
O vereador Paulo Roberto Sebastião (PTB), 32 anos, que representa os índios no Legislativo, disse também que há interesse da comunidade em participar dos diferentes conselhos municipais, como os conselhos da saúde, educação, cultura e agricultura.
Ou seja, eles querem, a partir deste ano, ter uma participação mais efetiva nas decisões que indicam onde e como serão aplicados os recursos municipais. “Antigamente, era mais difícil, não tínhamos espaço político. Mas agora com um representante na Câmara e um assessor, as coisas vão começar a caminhar”, comemora Edenilson.
O próximo passo, segundo o terena Antônio Lulu, 57 anos, é fazer com que a comunidade indígena se organize para começar a reivindicar melhorias para as aldeias.
O prefeito Rodrigues justificou a criação do cargo de assessoria indígena dizendo que foi uma forma que ele encontrou de atender melhor essa parcela bem específica da população. “Quando o prefeito não puder atendê-los, eles terão o assessor à disposição. Ficará mais fácil para eles”, declarou.
A nomeação de um assessor é uma conquista que os índios de Avaí querem levar para outras comunidades espalhadas pelo Estado de São Paulo. Segundo afirmação do vereador, nenhum dos outros 23 municípios paulistas que possuem aldeias têm esse tipo de assessoria.
Até a eleição de Paulo Roberto Sebastião, os índios de Avaí ficaram oito anos sem representante no Legislativo. Antes dele, outro terena, Mário de Camilo, exerceu o cargo de vereador por dois mandatos seguidos. Ele foi o primeiro indígena a ocupar uma vaga na Câmara Municipal.