10 de julho de 2026
Bairros

Para moradores, vale tudo contra os moluscos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Detergente, desinfetante, inseticida, isca natural, molusquicida e sal. Sem informação, moradores lançam mão desse arsenal para afugentar os caramujos. Além de ineficazes, alguns métodos também representam ameaça ao meio ambiente, animais domésticos e crianças.

Somente em um endereço de Bauru, não divulgado pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), a estratégia utilizada para exterminar os bichos resultou no triste saldo de um cão, dois gatos e 37 pássaros mortos. Eles foram contaminados com um molusquicida espalhado pelo quintal.

Nobuko Seki, que garante não ter enfrentado problemas de natureza semelhante, também aposta no uso de produtos vendidos em “casas de lavoura” para combater os caramujos gitantes. Elaborada há cerca de 20 anos, período em que morava num sítio, a estratégia dela consiste em espalhar veneno sobre folhas verdes (alface ou couve, por exemplo), cuidadosamente colocadas sobre páginas de jornal.

De acordo com Nobuko, à noite os caramujos saem para se alimentar, consomem o molusquicida e morrem. O método dela é desaconselhado pela Semma, que também não recomenda o uso de sal para matar os moluscos. “O problema do sal é que ele provoca a liberação da mucosa do caramujo e, conseqüentemente, do verme hospedeiro (alojado no bicho). Além disso, no local onde se coloca grande quantidade de sal não é possível mais cultivar nada”, adverte o titular da Semma, Carlos Barbieri.

Para evitar o risco, Francelina Gomes Alves, moradora do Parque Real, só descarrega sacos de sal sobre os bichos, depois de coletá-los e despejá-los num balde. Também procede a coleta um senhor de 87 anos, que pediu para ter a identidade preservada. Na casa dele, situada no Altos da Cidade, a reportagem contou 40 caramujos só numa laranjeira plantada no fundo do quintal.

Para se livrar da praga, o aposentado junta os bichos em sacos plásticos e posteriormente esguicha detergente e desinfetante de banheiro sobre eles. “Não existem testes que confirmem a morte (dos caramujos) nestes casos. Também desconhecemos a ação de inseticidas sobre os moluscos. Por enquanto, o melhor método é ainda coletá-los e dispensá-los nos tambores instalados na regionais”, reitera o secretário.

Aterro sanitário

Os moluscos descartados nos tambores dos postos de coleta são encaminhados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) ao aterro sanitário, que fica próximo às penitenciárias 1 e 2. No local, eles serão despejados numa vala séptica com o fundo aterrado e posteriormente serão macerados por um rolo compressor. Depois, os caramujo serão polvilhados com cal virgem e enterrados numa profundidade de 1,5 metro.

A erradicação dos caramujos é cercada de cuidados porque a espécie sobrevive e se reproduz também no lixo. No entanto, conforme o JC já veiculou, a pulverização não é recomendável porque ela pode extinguir outras espécies nativas.

Por essa razão, o caramujo-gigante é um problema afeto à área de meio ambiente. A expansão do bicho é ainda uma preocupação para o segmento agrícola porque ele é capaz de destruir diversas espécies vegetais, causando danos econômicos.