09 de julho de 2026
Ciências

Estudo cria alternativa para enxertos

Agência Notisa
| Tempo de leitura: 2 min

Traumatismos, infecções e deformidades congênitas estão entre as principais causas da perda de tecido ósseo. Em muitos casos, há a necessidade de se realizar um enxerto para que o osso se recupere normalmente. Um dos materiais disponíveis atualmente para este tipo de procedimento é o polímero da mamona, desenvolvido no Brasil e utilizado em humanos há 12 anos.

Interessados em avaliar a reação do organismo a este biomaterial, pesquisadores de São Carlos (150 quilômetros a nordeste de Bauru) da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) provocaram um defeito ósseo em um grupo de 45 ratos e utilizaram o polímero na reconstrução da parte danificada.

Eles concluíram que, além de ser barato, o produto derivado do óleo da mamona não provocou qualquer processo inflamatório, não eliminou nenhuma substância tóxica e permitiu a reconstituição do osso à medida que foi absorvido pelo organismo.

Desde a Segunda Guerra Mundial, o polímero da mamona é amplamente utilizado para vários artefatos, de cabos telefônicos até material bélico. Sua aplicação médica foi descoberta quase por acaso em 1985, após uma pesquisa realizada pelo professor Chiérice, do Instituto de Química da USP de São Carlos, para a Telebrás, interessada em cabos telefônicos.

Na época, um grupo de médicos que tratava pacientes com câncer de próstata entrou em contato com o professor em busca de uma alternativa para o silicone, matéria-prima cara usada na fabricação de próteses após a orquiectomia (extração dos testículos).

Quando a equipe de Chiérice estava analisando alguns polímeros inúteis para a Telebrás, identificou a potencialidade do biomaterial. “Esse tipo de pesquisa gera centenas de resultados e um dos polímeros criados possuía características semelhantes a alguns materiais já utilizados na área médica”, explica o professor.

Na opinião dos pesquisadores, as principais características dos biomateriais são a biocompatibilidade, o fato de não serem tóxicos ou carcinogênicos, possuírem resistência mecânica e estabilidade química e biológica. A experiência exatamente não identificou cápsulas fibrosas em nenhum dos períodos. Após a cirurgia de reconstrução óssea nos ratos, os animais foram divididos em cinco grupos de nove e sacrificados em períodos diferentes para análise.

Foi comprovada a capacidade de osteocondução do polímero, ou seja, de conduzir ou direcionar a reconstrução óssea sobre e entre a estrutura do material de preenchimento. Segundo o estudo, a “capacidade de osteocondução foi observada precocemente, nas peças cirúrgicas removidas dos animais sacrificados após períodos de 15 dias”. Os cientistas observaram, já nestes animais, que os poros do polímero encontravam-se preenchidos por tecido conjuntivo rico em células e capilares sangüíneos neoformados, o que, segundo eles, foi fundamental para a posterior deposição de tecido ósseo maduro.

“A presença do polímero derivado do óleo de mamona dentro de um defeito ósseo, com o passar do tempo dá lugar ao tecido ósseo neoformado (formado recentemente)”, constata Lizete Ramalho.