10 de julho de 2026
Esportes

Luge: Mizoguchi sofre acidente grave na Itália

Da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

O brasileiro Renato Mizoguchi sofreu um grave acidente no domingo, em Turim, na Itália, quando treinava na inauguração de pista de luge (trenó de um passageiro) que será utilizada nos Jogos Olímpicos de Inverno do próximo ano.

O atleta, nascido em Bauru mas radicado no Japão desde 1994, sofreu fraturas no crânio e no rosto, além de uma lesão pulmonar, e até o fechamento desta edição estava em coma induzido. Segundo informe do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) seu estado era estável no final da tarde (horário de Brasília).

Mizoguchi já tem vaga garantida para os Jogos de Inverno, em Turim, e acidentou-se quando saiu da pista na curva 17, um dos pontos de maior velocidade do trajeto. Segundo estimativas dos presentes, ele deslizava a 110 km/h quando bateu a cabeça após perder o controle do trenó. Ele foi imediatamente removido de helicóptero e transportado para um hospital de Turim.

Lá, passou por tomografias que mostraram dois hematomas intracranianos, um dos quais foi drenado cirurgicamente. De acordo com um boletim médico, a lesão pulmonar de Mizoguchi regrediu e suas fraturas faciais serão tratadas após a recuperação da lesão cerebral. Renato não apresenta lesão da coluna vertebral.

O texto, divulgado pelo Comitê Olímpico Brasileiro, informou ainda que a previsão dos médicos italianos é que o atleta saia do coma induzido entre cinco e sete dias.

Segundo Eric Maleson, presidente da Confederação Brasileira de Desportos do Gelo, os médicos italianos afastaram qualquer possibilidade de paralisia. “Não houve lesões na coluna nem na medula do Renato, que segue em coma induzido para aliviar a pressão dentro do crânio, causada pela fratura”, declarou o dirigente.

Ontem, Maleson tentava embarcar de Boston para a Itália, a fim de acompanhar de perto a evolução de seu principal atleta, dono do melhor resultado do País em provas de gelo (46º em Salt Lake-2002).

Maleson disse também que Mizoguchi está sendo observado de perto por Eduardo de Rose, representante brasileiro da Agência Mundial Antidoping (Wada), que estava em Turim para um compromisso do Comitê Olímpico Internacional (COI).

O chefe médico do COB, João Grangeiro, também está acompanhando o quadro do atleta brasileiro. “Ele teve um pronto atendimento, do mais alto nível possível. Embora seu quadro seja hemodinamicamente estável, seu estado inspira muitos cuidados. Mas estamos na expectativa da melhora clínica do Renato. Vamos monitorar o quadro clínico dele com os médicos italianos”, explicou.

O informe do COB diz ainda que o diretor técnico da entidade, Marcus Vinícius Freire, entrou em contato com a mãe de Renato, que mora em Bauru, e colocou o COB à disposição dos familiares do atleta, inclusive para o envio de algum representante da família a Turim. Informação confirmada pela mãe do atleta ao JC.

Curva perigosa

O acidente de Mizoguchi não foi o único do dia, mas foi o mais sério deles. Além do brasileiro, outros atletas bateram na curva 17. “Não sei exatamente quantos se acidentaram, mas ouvi relatos de que havia três ambulâncias na pista antes do início do treino. E que todas levaram atletas para o hospital até seu encerramento”, disse Maleson, para quem a pista olímpica precisa ser remodelada.

“Conversei com equipes de outras modalidades que já haviam testado a pista. O time de bobsled da Jamaica, por exemplo, disse que as curvas finais (a 17 é a antepenúltima) são muito perigosas e rápidas. Quem entrar nelas fora do trajeto perfeito, vai sair da pista e bater”, disse o dirigente.

No final de semana dos dias 22 e 23 de janeiro, a um ponto no ranking de conseguir o direito de participar dos Jogos de Turim-06, Mizoguchi competiria em um evento na Alemanha. Uma nevasca cancelou a prova, mas os tempos marcados nos treinos valeram para efeito da classificação olímpica, segundo informou a federação internacional na última sexta-feira, quando confirmou a vaga do brasileiro.

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Abalada, mãe do atleta diz sentir-se 'algemada'

A mãe de Renato Mizoguchi, Maria Solange Gimenez Bezerra, que mora em Bauru, estava bastante abalada com as notícias que chegavam ontem sobre o filho. “Não estou nada bem, prefiro não falar sobre o que aconteceu, minha cabeça está a mil e nem sei se vou falar coisa com coisa”, disse, por telefone, com a voz embargada apelo choro.

A história de Solange, como prefere ser chamada, e o filho é digna de um romance. Renato e a mãe se separaram quando o garoto tinha três anos de idade e foi morar com os avós e tios em Guaianases, na Grande São Paulo. O motivo nunca foi comentado nem pela mãe, nem pelo atleta. Em 1994, Renato foi morar no Japão, onde conheceu o luge e se apaixonou pelo esporte.

Em 2002, Renato participou dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Salt Lake City, nos EUA. O destaque que ganhou como atleta olímpico em uma modalidade quase desconhecida no Brasil, colaborou para o reencontro com a progenitora, logo após os Jogos.

Desde então, não perderam mais contato. “Conversamos bastante por telefone e por e-mail. Na segunda-feira passada (25/1), ele estava na Alemanha e me ligou dizendo ‘daqui a dois ou três dias vou para a Itália’. Pedi a ele para ter cuidado. Depois não nos falamos mais”, contou.

Solange comentou ainda que está sendo informada de tudo o que acontece com o filho pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). “Eles estão querendo me levar para a Itália, mas estou achando difícil porque nunca saí do País e nem sei falar outra língua. Se tivesse alguém para me acompanhar... Não quero ir sozinha, mas quero ir vê-lo, porque me sinto algemada aqui, sem poder fazer nada”, finalizou.

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O que é luge

O luge é considerado um dos mais antigos esportes de inverno. A palavra vem do francês e sua tradução para o português é “trenó”. As primeiras referências sobre o luge apareceram em 1480 na Noruega e em 1552 na Alemanha.

A primeira competição oficial de luge ocorreu em 1883 em Davos, Suiça. Em 1953 foi fundada a Federação Internacional de Luge (FIL) e, em 1964, a modalidade foi incluída pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Inverno em Innsbruck, na Austria.

A modalidade é praticada numa descida, com o atleta deitado no trenó, controlado através de movimentos suaves entre as pernas, tronco e cabeça. Dependendo da pista uma descida dura entre 50 e 60 segundos e os trenós chegam a atingir a velocidade de 135 km/h.

David Cintra