Se, como se afirma seriamente, os números não mentem jamais, e, por isso, nada ocultam, muito mais o fazem as estatísticas, a elas se recorrendo para tentar vislumbrar a veracidade de suas afirmações. Daí não se poder duvidar nem um pouco do que revelam, pelo que, então, exigem ser acolhidas como atestado autêntico, sem contestações. Por sinal, uma temática que está sendo levantada no universo e não comporta qualquer descrédito abarca a indesmentível natalidade humana. Abarca porque as denúncias que ela realça são notoriamente incontestáveis. Afirma, por exemplo, que de cada grupo de 100 crianças postas na terra, cobrindo o mundo, cerca de 40 são filhas de mães solteiras, adolescentes, que não puderam evitar antes de completar 18 anos e de se unirem em matrimônio ao namorado ou parecido.
Publicações de vários tipos - jornais e revistas têm profligado muito o problema, calculando que pelo menos 450 mil meninas se submetem à gravidez, no universo, a cada ano. E que, há mães de 18 anos de idade que têm filhos de 10, imediatamente engravidados, não o negando as estatísticas. “Minha filha errou, mas ela não é uma gatinha. É gente, gente mesmo!”, desabafa a mãe, cuja a filha morreu um mês após o parto e a vovó assumiu a recém-nascida, acrescentando: “Não aconselho a gravidez de meninas-moças se não tiverem muito amor e muita paciência”.
O problema das mães solteiras existe realmente. Segundo notícia recente, um casal, residente em uma capital, possui exatamente 62 netos adotivos, a maioria filhos de mães solteiras e adolescentes, despreparadas para a primeira maternidade, dizendo a matéria da revista: “Elas querem o filho e estão dispostas a assumir sua gravidez, fugindo à tentação do aborto e às agressões da família ou da sociedade. Honra seja feita aos pais que, em sua maioria, perdoam, acolhem e, igualmente, se mostram propensos a ajudar...”
O autor, N. Serra, jornalista responsável do JC, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“A caridade começa em casa. Que todos saibam acreditar naqueles que vivem à sua volta”.