A Câmara Federal já foi presidida até por gente que está sendo processada por escravizar trabalhadores rurais. Um dos candidatos avulsos à presidência daquela Casa este ano, inclusive, esteve envolvido até os ossos no escândalo dos anões do Orçamento, de 1993.
Nesse contexto, é doloroso ver o que está sendo feito contra um dos políticos mais sérios deste País, Luiz Eduardo Greenhalg. Requentar o caso Lubeca agora, quando se sabe que fazê-lo não mudará a decisão da Justiça de inocentar todos os envolvidos, inclusive Greenhalg, é apenas uma forma de interferir no processo eleitoral na Câmara.
Formulemos, pois, a pergunta que faziam os senadores romanos nos momentos de grandes agitações no Império: “Cui prodest?” (A quem interessa?).
Não é preciso pensar muito: Greenhalg é advogado criminalista, defensor ferrenho dos direitos humanos, inimigo figadal da pena de morte e da maioridade penal aos 16 anos, e, freqüentemente, defende os sem-terra. Ora, a bancada ruralista da Câmara, por exemplo, prefere ver o capeta presidindo a Casa em lugar dele.
Eduardo Guimarães