08 de julho de 2026
Articulistas

Escola de samba


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Nesse início de ano o samba vai às aulas e as aulas vão ao samba. O que menos se vê são as aulas indo às aulas. Entretanto, apaixonados ou não por Carnaval, é necessário reconhecer que a escola de samba dá aulas de planejamento, organização, controle e aprimoramento para muitas organizações. A escola de samba busca a qualidade total em suas apresentações e uma nota abaixo de 10 pode significar a perda do título. No mais famoso concurso de escolas de samba do mundo, no Carnaval carioca, as escolas são julgadas por uma comissão formada por 40 pessoas especializadas em nove quesitos.

Na bateria são observadas: a regularidade e sustentação da cadência; a marcação; o equilíbrio da composição instrumental; a harmonia dos sons. Um detalhe: instrumentos de sopro são proibidos. O samba-enredo é o único quesito em que o jurado divide a nota em duas: uma parte para a letra e a outra para a melodia. Na harmonia são julgados o comportamento da escola, o entrosamento dos integrantes, a coordenação e o sincronismo entre canto, ritmo e a coreografia na avenida. Na evolução avalia-se o andamento da dança de acordo com o ritmo do samba-enredo e a bateria, valorizando-se a empolgação e a espontaneidade dos integrantes da. Vale lembrar que buracos entre as alas tiram pontos.

No enredo, os julgadores analisam o argumento do tema central escolhido pela escola, além do seu desenvolvimento entre as alas, a sua representação nas alegorias e fantasias. Nas alegorias e adereços avalia-se a concepção plástica do enredo pela originalidade, propriedade, cores, movimento e efeito. Qualquer elemento que esteja sobre rodas pode ser considerado alegoria, assim como é adereço o que não esteja sobre rodas.

As fantasias são julgadas em relação à criatividade, cores, efeito individual e coletivo, variedade e adequação.

No mestre-sala e na porta-bandeira, casal que carrega a bandeira da escola, são observados: a postura, a elegância, a graça e a leveza da porta-bandeira. Já o mestre-sala é avaliado na flexibilidade, variedade de passos, cortesia e proteção à bandeira. A comissão de frente é avaliada pela função de saudar o público e apresentar a escola na avenida devendo seus integrantes estar em perfeita coordenação e harmonia.

E na sua organização? A bateria está segurando a regularidade, a cadência e a harmonia entre os diversos instrumentos? Na evolução não estão acontecendo buracos entre os departamentos? Como está o argumento do tema central, isto é, da missão da organização? Como está a concepção plástica de seus produtos e serviços quanto a originalidade, propriedade, efeito, etc? A criatividade, a variedade e a adequação são estimuladas individual e coletivamente? Os líderes, mestre salas e porta-bandeiras, estão apresentando jogo de cintura, humor e flexibilidade? A diretoria, isto é, a comissão de frente, mais que representando, está apresentando bem a organização lá fora?

O autor, Pedro Antonio Domingues, é professor dos cursos de Administração, Turismo, Hotelaria e Pedagogia da Universidade São Francisco