10 de julho de 2026
Cultura

'Meu Tio...' fala a língua dos adolescentes

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

O cinema brasileiro vem fugindo da regra de que não sabe fazer filmes para o público jovem – não produções que atraiam esse público, como “Os Normais” e “A Dona da História”, mas que falem a língua dos adolescentes, com personagens, linguagem e histórias comuns àqueles que são a maior parte dos que se sentam às cadeiras dos cinemas. O principal responsável pela mudança é o diretor Jorge Furtado.

Seu terceiro longa, “Meu Tio Matou um Cara”, que estréia hoje em Bauru, é um legítimo exemplar da categoria “filme adolescente”, não de forma pejorativa ou diminutiva, mas com tudo o que o gênero pode oferecer ao público. Assim como em “Houve Uma Vez Dois Verões” (mais) e “O Homem que Copiava” (um pouco menos), o universo tratado nos filmes é o comum aos jovens moradores de grandes cidades. Tudo está lá: as paqueras, a falta de dinheiro, a pressão dos pais, os empregos ou a falta de, etc.

Furtado, que é mais um dos diretores oriundos da Rede Globo (fez “Comédia da Vida Privada” e “Luna Caliente” e roteiros de “Agosto” e “Memorial de Maria Moura”, entre outros), comenta que não vê diferença entre as linguagens do cinema e da televisão. “A diferença é a maneira como se vê e não como se faz. A televisão é feita para um público enorme e muitas vezes desatento. O cinema atinge menos gente, mas é visto com grande atenção. Esta diferença faz com que o cinema seja (ou deva ser) mais sutil, mais profundo, mais rico em detalhes”, diz.

Como representante do cinema para adolescentes, não haveria outra maneira de realizar os filmes sem atores jovens. Para Furtado, que já dirigiu seu filho, Pedro Furtado, em “Houve Uma Vez...”, a experiência não é negativa em nenhum aspecto.

“Eles se entregam totalmente ao projeto do filme e estão muito disponíveis para os ensaios. Eles fazem parte de uma geração que já nasceu familiarizada com a linguagem audiovisual e, talvez por isso, contribuam tanto para o bom resultado do filme”, elogia.

Em “Meu Tio...”, o elenco jovem tem o rosto conhecido de Darlan Cunha (de “Cidade de Deus” e “Cidade dos Homens”) como protagonista. Ele interpreta Duca, um garoto de 15 anos apaixonado por Isa (Sophia Reis) e atormentado com o fato da menina aparentemente estar interessada em Kid, seu melhor amigo, interpretado pelo ator bauruense Renan Gioelli. Com um bom roteiro, os jovens atores não devem nada a grandes nomes.

“O filme é a história de um garoto inteligente e tímido que faz de tudo para conquistar o seu amor. É também a história de um cara muito atrapalhado e ingênuo que é totalmente apaixonado por uma mulher esperta e misteriosa. É claro que as duas histórias principais se misturam: Duca envolve Isa na investigação de um crime e isso acaba em muitas aventuras”, explica o diretor.

Completa o elenco como o “cara atrapalhado” o ator Lázaro Ramos, e Deborah Secco, que faz a “mulher misteriosa” descrita por Furtado. Na trama, Éder (Ramos) confessa ter assassinado o ex-marido de Soraya (Secco). Sem acreditar na versão do tio, Duca e os amigos vão tentar provar que a história é mentira.

Apenas na primeira semana de exibição, mais de 68 mil pessoas assistiram ao filme, a maior estréia de uma produção de Furtado. Agora, é a oportunidade do público bauruense conferir o maior lançamento nacional do ano até o momento, que carrega as marcas de Furtado no roteiro inteligente, nas piadas espertas e no elenco afiado.