O que podem os seres, humanos ou não, esperar do amanhã, ou seja, do incógnito futuro que terá de vir, acontecer inapelavelmente, mais dia menos dia? Uma infinidade, não se pode negar, sendo a terra um universo de acontecimentos de todos os tipos e dimensões, a maioria dos quais quase ninguém tem a ventura de contornar, impedir que ocorram, a uns mimoseando com formosos presentes e a outros com penosas amarguras e tristezas! Nada os incomoda, não isentando a vida dos países e a afetando com anormalidades, boas e más, fazendo com que os povos se vejam submetidos à toda a variedade de vicissitudes que compõem a esfera mundial.
Não se precisa ir muito longe, pois aí está o Brasil, entre os demais, arcado pelo peso das circunstâncias. E o que opina a população, ouvindo o presidente da República afirmando, solenemente, que 2005 será “o ano específico do Brasil!” Das Forças Armadas afiançando que “a segurança do Brasil está em nossas mãos!” O ministro da Fazenda tentando justificar o incessante aumento da carga tributária, envolvendo todos os impostos e taxas que inventa? Do Trabalho anunciando esquema contra o desemprego e a pobreza? Da Saúde fazendo a defesa da campanha em favor da saúde para todos? Da Indústria, Comércio e Serviço apregoando avanços econômicos do Setor? Da Educação destacando conquistas na esfera educacional, abrangendo crianças, adolescentes e jovens, face ao que “o Brasil virá a ser um país de todos?” Da Agricultura adiantando que a reforma agrícola está por pouco? E o da Previdência e Serviço Social anunciando melhorias para aposentados e pensionistas?
Pois é! Tantas são as perspectivas, que se tem de perguntar: “Brasil-2005, há esperanças?” Tem a população suportes suficientes para confiar no destino que os poderes públicos lhe prognosticam para execução ainda este ano? Como está se desenrolando o panorama sócio-econômico em nações idênticas à nossa em tudo e por tudo? E, então, se tem de ir em frente, inquirindo: “Estão mais felizes os outros povos com menos problemas graves que os dos brasileiros? Não o sendo que lutem ardorosamente por seus objetivos e ensinem, a nós outros, a fórmula ideal para que possamos prosseguir com todo calor nas alamedas verdejantes de esperança, que nos mantêm esperançosos, e que alimentam os anseios de nossas vidas, carentes de dias menos angustiantes e paralelamente tão suaves como a aurora de amanhã! É a nossa opinião.
O autor, Nadyr Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Desejaria tanto viver mais três séculos. Não que eu tema a morte, mas porque me extasio com a vida”. Karl Barth, teólogo alemão.