08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Os eleitos e a capacitação


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Nos concursos públicos, após aprovados e classificados, os candidatos são em seguida submetidos a um curso de capacitação, para adquirirem a cultura daquele novo trabalho e só depois então iniciar de fato suas atividades profissionais, obtendo assim um melhor resultado de sua atuação em menos tempo. Na parte inicial, essa seqüência guarda uma perfeita analogia com as eleições. São candidatos da mais variada cultura e formação concorrendo a vários tipos de cargos e com contrato de duração de quatro anos. A população é de fato o empregador desses novos empregados, que têm entre outras funções defendê-la (seus interesses), representá-la e administrar os seus bens (a cidade) da melhor forma. Esses novos empregados da população certamente estariam mais capacitados e conscientes para exercerem suas amplas funções de administradores e legisladores, se logo após de eleitos (31/10/04) e antes da posse (1/1/05) freqüentassem um curso de capacitação sob o patrocínio do Tribunal Regional Eleitoral, Tribunal de Contas do Estado, Tribunal de Contas da União, Governo do Estado e Governo Federal. O curso teria por conteúdo toda a legislação pertinente, os canais (fundos, convênios, etc.) estadual e federal que o município pode se utilizar para beneficiar sua população, entre outros, além, é claro, de conscientizar cada um de suas verdadeiras obrigações (deveres) para o cargo em que foi eleito pela população. Fatos recentes reforçam essa tese. Na TL do JC de 1/2/05, o leitor Fábio Luiz Andrade “descobriu” na cidade vizinha de Américo Brasiliense a existência do Fundo Estadual de Controle de Poluição (Fecop), através de um adesivo estampado na porta de um caminhão de coleta de lixo, veículo este doado pelo Governo do Estado juntamente com mais dois, todos novos. Será que a nova administração da cidade e o presidente da Emdurb têm conhecimento da existência do Fecop? Já para o ministro Adylson Motta, presidente do Tribunal de Contas da União, “mais de 90% das irregularidades identificadas nas prefeituras no uso de verbas públicas se devem ao desconhecimento das leis de gestão da máquina administrativa...”, conforme entrevista no OESP, de 23/1/05, página A14. Para os candidatos eleitos imbuídos de espírito público elevado e com a mentalidade de servir a população, que é o que deve ser, o curso de capacitação os instrumentalizarão para alcançar resultados ainda melhores durante seu tempo de gestão e assim, seguramente, acertarão mais e errarão menos.

Christopher Davies - engenheiro agrônomo - RG 8.739.141