Infelizmente, todos os anos a folia vem acompanhada de um aumento considerável nas estatísticas policiais e hospitalares. Para não fazer parte desses números, o médico Paulo Roque Carlotto, chefe médico do Departamento de Urgências e Emergências da rede municipal de Bauru, recomenda uma boa dose de bom-senso e moderação.
“A ingestão abusiva de bebidas alcoólicas e o uso de drogas aumentam incrivelmente o índice de acidentes, brigas e outros episódios violentos durante o Carnaval. As substâncias químicas alteram o equilíbrio do indivíduo, tornando- o suscetível a atitudes desastrosas”, argumenta.
Quando não geram acidentes e brigas, o consumo dessas substâncias costuma levar muitos foliões para o pronto-socorro com problemas gastrointestinais ou mesmo em estado de coma.
Quem não quer passar a noite num hospital e muito menos pôr a própria vida em perigo, deve fugir das drogas, reduzir a ingestão das bebidas alcoólicas, tomar muita água entre uma bebida uma bebida e outra e fazer refeições leves antes do baile para não correr o risco de ter uma indigestão.
O médico também reforça a importância de se prevenir as contaminações durante o Carnaval, especialmente as doenças sexualmente transmissíveis (aids, hepatite, sífilis, gonorréia, entre outras). Nesse sentido, só existem duas maneiras de se prevenir: a abstinência sexual ou o uso correto de preservativos.
Torções, distensões e fraturas também podem levar o folião para a cama mais cedo e, pior, para a cama de um hospital. Para prevenir esses problemas, os médicos recomendam o uso de sapatos adequados, preferencialmente tênis com amortecedores para aliviar o impacto. Além disso, é importante fazer um aquecimento antes de se “jogar” na folia. E é interessante fazer um alongamento antes e depois do baile.
Além dessas orientações, especialmente voltadas aos adultos, é preciso muita atenção também com as crianças. Roupas leves, calçados adequados, maquiagem própria para evitar alergias. Antes do baile, refeições leves. E muito líquido. Empolgadas com a folia, elas precisam ser lembradas de beber água a todo o momento. Quanto menor o corpo, mais rápido pode ocorrer uma desidratação.
____________________
Piscinas
A médica otorrinolaringologista Silvia Regina Megale observa que muitas pessoas tiram os quatro dias de Carnaval para curtir sol e piscina. Ela salienta que o excesso de água no canal do ouvido pode causar infecções e dores mais tarde.
“Nosso ouvido não está preparado para receber muita água, ele demora para secar. Se o contato com a água é muito freqüente, o ouvido pode reagir, pode infeccionar e a pessoa vai ter uma forte dor de ouvido”, comenta.
Para aqueles que têm tendência a apresentar esse problema, que costumam sofrer com essas dores depois de algum tempo de mergulho ou mesmo para quem vai passar muitas horas dentro da água, ela recomenda o uso de tampões.
Mas se o ouvido já estiver doendo, é bom procurar um médico. “Algumas medidas caseiras também funcionam, como colocar um pano aquecido sobre a orelha, que ajuda a água a evaporar. Mas nada de pingar remédios ou outras substâncias no ouvido sem orientação médica. Uma substância errada pode ter sérias conseqüências”, adverte.