08 de julho de 2026
JC Criança

História do Carnaval


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Segundo definição genérica, o Carnaval é uma festa popular coletiva, que foi transmitida oralmente através dos séculos, como herança das festas pagãs realizadas a 17 de dezembro (Saturnais - em honra a deus Saturno na mitologia grega) e 15 de fevereiro (Lupercais - em honra a Deus Pã, na Roma Antiga).

Na verdade, não se sabe ao certo qual a origem do Carnaval, assim como a origem do nome, que continua sendo polêmica. Alguns estudiosos afirmam que a comemoração do Carnaval tem suas raízes em alguma festa primitiva, realizada em honra do ressurgimento da primavera. De fato, ocorriam em certos rituais agrários na Antigüidade, 10 mil anos a.C.

Outros autores acreditam que o carnaval tenha se iniciado nas alegres festas do Egito, há 2000 anos a.C. Em Roma, realizavam-se danças em homenagem a Deus Pã (as chamadas Lupercais) e a Baco (ou Dionísio para os gregos).

No início da Era Cristã, a igreja deu nova orientação a essas festividades, punindo severamente os abusos. Entretanto, se o Catolicismo não adotou o Carnaval, suportou-o com certa tolerância, já que a fixação do período momesco gira em torno de datas predeterminadas pela própria igreja.

O baile de máscaras, introduzido pelo papa Paulo II, adquiriu força nos séculos 15 e 16, por influência da Commedia dell’Arte. Eram sucesso na Corte de Carlos VI. Ironicamente, esse rei foi assassinado numa dessas festas fantasiado de urso. Em Veneza e Florença, no século 18, as damas elegantes da nobreza também utilizavam as máscaras.

Carnaval brasileiro

Ao contrário do que se imagina, a origem do Carnaval brasileiro é totalmente européia. Como afirma a autora Maria Isaura Pereira de Queirós, a comemoração carnavalesca data do início da colonização, sendo uma herança do entrudo português e das mascaradas italianas. Somente muitos anos mais tarde, no início do século 20, foram acrescentados os elementos africanos, que contribuíram de forma definitiva para o seu desenvolvimento e originalidade. Foi, portanto, graças a Portugal que o entrudo desembarcou na cidade do Rio de Janeiro, em 1641.

Tanto em Portugal, como no Brasil, o Carnaval não se assemelhava de forma alguma aos festejos da Itália Renascentista; era uma brincadeira de rua muitas vezes violenta, onde se cometia todo tipo de abusos e atrocidades. Era comum os escravos molharem-se uns aos outros, usando ovos, farinha de trigo, polvilho, cal, goma , laranja podre, restos de comida, enquanto as famílias brancas divertiam-se em suas casas derramando baldes de água suja em passantes desavisados.

Foi esse Carnaval mais ou menos selvagem que desembarcou no Brasil com as primeiras caravelas portuguesas e os primeiros foliões. Com relação à música, tudo ainda era muito precário; o entrudo não possuía um ritmo ou melodia que o simbolizasse. Apenas a partir da primeira metade do século 19, com a chegada dos bailes de máscaras nos moldes europeus, foi que se pôde notar um desenvolvimento musical mais sofisticado.

Em 1834, o gosto pelas máscaras se acentuou no País. De procedência francesa, eram confeccionadas em cera muito fina ou em papelão, simulando caras de animais, caretas, entre outros. As fantasias apareceram logo após o surgimento das máscaras, dando mais vida, charme e colorido ao carnaval, tanto nos salões quanto nas ruas.

Enfim, as matinês!

Em 1907 foi realizado o primeiro baile infantil, dando início às famosas matinês. As novidades não pararam por aí e as modalidades se multiplicavam, como as festas em casas de família, bailes ao ar livre, bailes infantis, e até mesmo bailes em circo. Em 1909, surge o primeiro concurso, premiando a mais bela mulher, a fantasia mais bonita e a melhor dança. Os prêmios eram jóias valiosas e somente os homens tinham direito a voto. Enfim, o Carnaval crescia a cada ano, passando a fazer parte da realidade cultural do País, enquanto na Europa já se notava a sua decadência.

Pesquisa realizada pelo historiador Roberto Milanda Chinalha, com base em várias fontes