09 de julho de 2026
Geral

Uso de lança-perfume está sujeito à lei de entorpecente

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A Delegacia de Investigação Sobre Entorpecente (Dise) vai intensificar, durante os festejos de Carnaval, a repressão às drogas. Maconha, crack, cocaína e, especialmente, o lança-perfume estão na mira da polícia. O entorpecente que na década de 60 era livremente usado é considerado uma droga como a maconha ou cocaína, avisa o titular José Henrique Gomes dos Santos.

O delegado alerta que cheirar, vender, comprar ou oferecer o produto, ainda que gratuitamente, pode configurar crime. “O lança-perfume, que tem como princípio ativo o cloreto de etila, é entorpecente. Não importa se o produto é confeccionado no fundo do quintal ou importado. Se uma pessoa for pega cheirando poderá ser indiciada por porte e uso de entorpecente”, frisa Santos.

A pena para quem for surpreendido cheirando lança-perfume é de seis meses a dois anos de detenção. Mas, se a pessoa estiver vendendo ou oferecendo o entorpecente, poderá ser indiciada por crime de tráfico. A pena vai de três a 15 anos de reclusão e o crime é inafiançável.

Os investigadores vão trabalhar exclusivamente no combate ao uso de tráfico de drogas, avisa Santos. “Eles vão estar presentes onde houver aglomeração de pessoas. Estamos intensificando o trabalho porque é durante o Carnaval que as pessoas costumam usar o entorpecente.”

O alerta faz parte da campanha desencadeada anualmente pela Dise. “Estamos tentando conscientizar a população dos perigos do uso do lança-perfume, que passou a ser considerado entorpecente em 1983, conforme a Portaria 344 do Serviço de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde”, explica Santos.

____________________

Risco de morte

O cloreto de etila provoca um efeito anestésico e uma sensação de alívio e bem- estar. Diminui o cansaço e até a dor, porque age no sistema nervoso central.

Apesar das aparentes vantagens, dependendo da sensibilidade do usuário e da dose utilizada, o entorpecente pode provocar uma parada respiratória. Ou, uma taquicardia, aceleração do ritmo do coração. A parada respiratória é a que mais preocupa, explica o médico legista Ivan Segura. “A parada respiratória pode levar á morte.”