O sacrifício de animais realizado durante rituais de candomblé é ofertado aos orixás. Esse ritual simboliza a reafirmação dos laços de retribuição e lealdade entre os mortais e as divindades.
Após o ritual, os animais sacrificados servem de alimento para os praticantes e nenhuma parte é desperdiçada.
Ou seja, segundo a pesquisadora de cultura religiosa Dalva Aleixo, o ritual não consiste em um tipo “macabro” de carnificina, como alguns discursos levam a crer. Muito pelo contrário.
Seus adeptos comem comunitariamente o animal sacrificado (devidamente limpo, cozido e preparado), após rituais e reverências às divindades.
“Eles matam ritualmente os animais e comem comunitariamente. De acordo com a essência da religião africana, você não pode tirar um elemento da natureza sem permissão”, descreve.
Dalva lembra que em grande parte das religiões os adeptos matam e comem animais em cerimônias religiosas festivas. Entretanto, na visão da professora, quando se trata do candomblé, o senso comum tende a associar esse costume, de forma equivocada, a algum tipo de ritual maligno.
“Os americanos matam perus no dia de ação de graças. Os judeus matam os carneiros para comer num dia de festa religiosa”, aponta.
Segundo a professora, os exemplos de sacrifícios de animais, cuja carne não é aproveitada para consumo, não tem qualquer referência com o candomblé.
Dalva também lembra que se relaciona, de maneira distorcida, o candomblé à magia negra, cujos adeptos utilizam sangue humano em rituais. “A origem (da magia negra) é totalmente européia e de elite”, esclarece.