08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O BAC também?


| Tempo de leitura: 4 min

Os bauruenses, desde os primeiros tempos da Sem Limites, frequentavam diferentes entidades sociais, esportivas e recreativas, a exemplo da Sociedade Noroeste, Bauru Clube, Grêmio Bauruense, E.C. Paulista, Bancários, Country, todas já desaparecidas, além do Automóvel Clube, atualmente desativado. Outras, porém, conseguem superar os obstáculos que surgem e continuam plenas em suas atividades, a exemplo do Bauru Tênis Clube, Associação Luso Brasileira, a Sociedade Hípica e o Nipo Brasileiro etc.

Quanto ao futebol, lembramos do Bandeirantes, do São Paulo da Bela Vista, do Atlantic, do Smart, do Vila Seabra, que tiveram os seus dias gloriosos, porém acabaram sucumbido vítimas de problemas vários quanto à falta de apoio, principalmente no aspecto financeiro tão necessários para atender diversos investimentos. Restou o E.C. Noroeste, que continua em ação, agora, com o incentivo particular de Damião Garcia que, sem qualquer auxílio, batalha sozinho para que o Alvirrubro volte a ocupar uma posição de honra na elite do futebol.

Toda esta introdução serviu para falar um pouco do Bauru A.C. que, conforme informações e reportagens publicadas no JC, está a caminho de um triste fim. Nasceu com o nome de Lusitana F.C., em 1º de maio de 1919, através de uma idéia surgida dentro de um trem, depois de uma vitória em Pederneiras, por 3 a 1. Em abril daquele ano, um grupo de jovens se reuniu para disputar um jogo na vizinha cidade e, no retorno, incentivados pelo triunfo, tiveram a idéia de fundar um clube. O primeiro encontro aconteceu na casa do esportista Pedro Bertolini, que convidou o empresário Antônio Garcia para presidir.

Na oportunidade, vários nomes surgiram, como E.C. Terra Branca, Bauru F.C., porém, a sugestão em torno de Lusitana F.C., em homenagem a Antônio Garcia que era o co-proprietário de uma firma com a mesma denominação, ganhou a aprovação geral. Aos poucos foi a nóvel agremiação conquistando um grande número de adeptos, principalmente por parte dos membros da comunidade portuguesa.

No decorrer do tempo tornou-se o Lusitana F.C. no maior rival do E.C. Noroeste. Após a criação, em 1931, da Federação Bauruense de Futebol, hoje Liga Bauruense de Futebol Amador, nos 14 campeonatos disputados o Lusitana venceu seis e o Noroeste também seis. Tem o Lusitana, em seu cartel de inesquecíveis vitórias, duas de caráter internacional, ou seja, uma goleada sobre um time da Polônia, nos anos 30, por 6 a zero. Em 1951, derrotou de maneira impiedosa o Atlanta de Buenos Aires, por 8 a 2.

Nas conquistas estaduais, foi vice campeão do Interior em 1942, campeão estadual em 1946, competições essas dentro do já amadorismo marrom (semi-profissionalismo). Ainda em 1942, ao enfrentar a seleção de Mato Grosso, que havia disputado o Campeonato Brasileiro daquele ano, alcançou um triunfo esmagador por 10 a 1.

Em 1946 passou à denominação de Bauru A.C., uma iniciativa de Nicola Avallone Jr., bauruense que em 1951 e 1952 presidiu o BAC. Das fileiras do Alviceleste saíram grandes nomes para o futebol nacional, a exemplo de Marinho, que jogou no Fluminense, depois no Gênova (Itália), Souzinha no Corinthians e tantos outros. Mas foi a sua equipe infanto-juvenil que relevou Pelé para o mundo.

Depois que o E.C. Noroeste foi guindado à I Divisão, começou o declínio do BAC, que passou a disputar a II Divisão com uma equipe de jovens valores do futebol amador, para depois pedir licença à FPF, retornar, mas transcorrido algum tempo encerrou definitivamente o seu departamento de futebol profissional.

Passou o BAC a ser uma entidade dedicada aos acontecimentos sociais e ao esporte amador, dando apoio ao basquete, vôlei, natação, com várias conquistas. Participava ativamente dos carnavais, desfilando pelas ruas com seus carros alegóricos e inesquecíveis bailes eram realizados em sua sede. Muitos foram os esportistas que por lá passaram, e desenvolveram excelente trabalho à frente dos destinos do clube.

Eis então que chega a notícia que o BAC está prestes a encerrar as suas atividades, vender o seu patrimônio e construir um clube de campo para o lazer do seu já diminuto quadro social. É lamentável que isso aconteça. Será mais uma página negra do livro que conta a história da Bauru esportiva. O problema financeiro que aflige é por demais oneroso. Como solucionar, não sabemos!

Assim, depois de tantos clubes e agremiações esportivas e sociais que desapareceram perguntamos! O BAC também?

Luciano Dias Pires